O futebol brasileiro passa por uma penúria comparável à da minha conta bancária, que, feito a temperatura no Pólo Norte, está sempre abaixo de zero. Por essas e outras, vibrei quando soube que o SBT decidiu voltar a exibir eventos esportivos, quebrando finalmente o monópolio mediocrizante exercido pela Rede Globo de Televisão. Deixando de lado todo o imbróglio jurídico envolvendo os direitos de transmissão do Campeonato Paulista, gostaria muito de parabenizar o SBT por montar novamente uma equipe de esportes. Mas...
Ok, o pessoal até que é esforçado. É nítido ver o esforço, por exemplo, de comentaristas como Mariah Moraes ou Léo Jaime, que, nota-se claramente, buscam se informar previamente sobre cada time ou jogador antes de cada transmissão. Contudo, a impressão que eles me dão é de serem estranhos no ninho, feito o Chico Anysio (pela Globo) ou o Toquinho (através da Bandeirantes) na Copa de 1994. E o que dizer das narrações de Dirceu Maravilha, responsável pelo infame bordão "se a bola for pro gol, me chama que eu vou"? Ou de repórteres como Silvia Vinhas, que outro dia afirmou que o Corinthians jogaria num hipotético esquema 4-4-3? E o que dizer das transmissões estarem sendo ancoradas por Elia Júnior, apresentador tão empolgante quanto uma partida entre o Cabofriense e o XV de Jaú?
Quem diria que um dia eu seria capaz de sentir falta do Galvão Bueno narrando um jogo de futebol? A que ponto chegamos...
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Reclama-se muito dos atuais comerciais de cerveja, que insistem na mesma tecla ao associarem os prazeres etílicos a mulheres gostooooooosas. Pessoalmente, não tenho nada contra. Eu não vou beber mais cerveja só porque a Pietra Ferrari, a Luize Altenhofen ou a Ellen Rocche aparecem de biquini com uma lata de Skol na mão, assim como só um imbecil seria capaz de acreditar que um maço de Marlboro significa passaporte garantido para uma terra repleto de aventuras, paisagens bonitas e cavalgadas ao léu. "Mas o mundo é repleto de imbecis que caem nessas arapucas", alguém retruca. Ok, ponto para você.
No entanto, apesar desses comerciais glorificarem mulheres curvilíneas e com padrão de beleza quase irreal, nunca vi nenhuma amiga minha se queixar seriamente desses estereótipos de mulher-objeto. Até que uma cervejaria lançou em sua mais recente campanha o slogan "essa merece uma Kaiser", associando sua marca às coisas boas da vida que merecem ser "bebemoradas" com os camaradas. A primeira versão do comercial exibe os atores Marcos Palmeira e Vladimir Brichta babando, como em todo comercial de cerveja que se preze, com alguma gostosuda em trajes sumários. O bolo desandou feio a partir da segunda parte da campanha, estrelada por Fernanda Torres, que se propõe a veicular a versão feminina da coisa. Veja algumas pérolas deste comercial:
- Liquidação no shopping? Essa merece uma Kaiser! Depilação com cera quente? Essa não merece uma Kaiser! Ir ao banheiro com as amigas? Ahh, essa merece uma Kaiser...
Convenhamos: pior que uma mulher-objeto, só uma que é fútil e consumista. Quando descrevi esse comercial, Suzi ficou justificadamente indignada, e sugeriu outras "bebemorações" muito mais adequadas para a mulher deste começo de século:
- Ser promovida no emprego? Essa merece uma Kaiser! Orgasmo múltiplo? Essa merece uma Kaiser (e um cigarrinho depois...)!
Ainda falando sobre "publiciotários", eu poderia jurar que foi um leitor dos trotes do Cocadaboa o autor da brilhante (sic) idéia de convidar a Sandy para estrelar um comercial recomendando o uso de camisinha em certa campanha de prevenção da Aids...
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Videoclipes também podem ser formas de arte. Quem assistiu aos fantásticos clipes da Björk dirigidos pelo francês Michel Gondry sabe do que estou falando. Vídeos musicais, graças à sua curta duração e à maior liberdade artística, têm revelado ao mundo alguns dos mais promissores diretores de cinema da atualidade. É o caso de Spike Jonze, que antes de dirigir Quero Ser John Malkovich foi o responsável por clipes como "Buddy Holly", do Weezer, "Sabotage", dos Beastie Boys, e "Elektrobank", dos Chemical Brothers. Ou de Jonathan Glazer, que, antes de dirigir o filme Sexy Beast, cunhou alguns dos melhores videoclipes de todos os tempos: "Karma Police" e "Street Spirit", do Radiohead, "Virtual Insanity", do Jamiroquai, e "Rabbit in Your Headlights", do U.N.K.L.E.
Não sei se Jamie Thraves já iniciou uma carreira cinematográfica, mas a julgar por seu trabalho em "The Scientist", do grupo inglês Coldplay, acredito que já valha a pena apostar algumas fichas nesse cara. Poucas vezes vi na TV um videoclipe capaz de complementar uma música de uma maneira tão emocionante e criativa. Se você ainda não o assistiu na MTV, não perca tempo: clique aqui ou aqui para assisti-lo. Depois, guarde o nome de seu diretor: Jamie Thraves.
28.1.03 Sinto inveja da desconcertante criatividade das crianças que, sem cabecismos concretistas ou ambições pseudo-literárias, de repente criam do nada sacadas poéticas como esta:
- A cor do céu depende da hora, do tempo e de quem olha. Quem diz que o céu é azul, nem desconfia que, de noite, ele pode ser preto e, quando vai anoitecendo, pode até ser rosa ou vermelho. Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu.
Adultos são o que as crianças se tornam depois que começam a produzir hormônios e a largar sonhos pelo caminho. E é assim que nos tornamos maduros, responsáveis e... burocráticos. Não é de estranhar, pois, o sucesso da coluna que o pediatra Pedro Bloch publicava toda semana na revista Manchete, intitulada "Criança Diz Cada Uma". Nela, Bloch narrava tiradas espontâneas e engraçadíssimas, protagonizadas pelas crianças (de 3 a 11 anos de idade) que passavam pelo seu consultório (como a fala sobre a cor do céu do parágrafo acima). Boa parte desses achados foi compilada no livro "Dicionário do Humor Infantil", da Ediouro.
Eis algumas das melhores definições que encontrei no livro de Bloch:
ADULTO - É uma pessoa que sabe tudo, mas quando não sabe diz logo: "veja na enciclopédia".
AMAR - É pensar no outro, mesmo quando a gente nem tá pensando.
BOCA - É a garagem da língua.
CABELO - É uma coisa que serve pra gente não ficar careca.
CALCANHAR - É o queixo do pé.
CIGARRO - É chupeta de adulto.
COISA - É uma palavra que serve pra qualquer coisa.
DEUS - É a pessoa que dá os presentes pro Papai Noel.
ESPERANÇA - É um pedaço da gente que sabe que vai dar certo.
FÉ - É uma menininha, na praia, esvaziando o mar com um baldezinho de plástico furado.
FUTEBOL - É um jogo em que, às vezes, a trave joga melhor que o goleiro. Pega tudo.
FUTURO - É tudo que vem depois e, quando chega, já era.
MENTIRA - (ouve-se o estraçalhar de um vidro no banheiro e o menino grita) - "É mentira do barulho!"
NEVOEIRO - É poeira do frio.
PIADA - É uma coisa engraçada que perde a graça quando a pessoa avisa que vai ser.
REDE - É uma porção de buracos amarrados com barbante.
REFLEXO - É quando a água do lago se veste de árvores.
RELÂMPAGO - É um barulho rabiscando o céu.
SONO - É saudade de dormir.
STRIP-TEASE - É mulher tirando a roupa toda, na frente de todo mundo, sem ser pra tomar banho.
VEIAS - São raízes que aparecem no pescoço das meninas que gritam.
VIDA - A vida de muita gente é só gol contra.
Recomendação da casa: experimente o novo biscoito de milho verde da Nestlé. Seu gosto é simplesmente expressionante, eu nunca vi um biscoito reproduzir um sabor com tamanha fidelidade. Não é como um suco Tang de laranja, por exemplo, em que você percebe nitidamente que está tomando uma bebida de gosto artificialmente simulado. É sério, quase pude sentir os grãos de milho se desmanchando em minha boca.
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A propósito: qual é a diferença (se é que ela existe) entre biscoito e bolacha? Seriam as bolachas biscoitos com recheio no meio?
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Ontem assisti, junto com minha namorada, a O Chamado, filme de terror dirigido por Gore Verbinski. Boa diversão, a propósito: quem levou sustos com O Sexto Sentido e Os Outros certamente sofrerá calafrios com essa fita (Suzi pesadelou esta noite com a garotinha do filme). O plot é interessante, e se baseia em uma lenda urbana: uma misteriosa fita de vídeo que, se assistida, mata o seu incauto espectador após exatos sete dias. Clichês do gênero à parte (um menino que tem premonições, cenas envolvendo televisões fora do ar, escadas e banheiros), o que mais apreciei em O Chamado foi o seu final. Não estragarei o prazer de quem for assisti-lo; só gostaria de comentar que o fim do filme é talvez o mais aterrorizante dos últimos tempos, porque, metafisicamente especulando (uau), sugere que o Mal se alimenta da cumplicidade humana para se perpetuar. E se nós somos cúmplices do Mal, o somos por simples questão de sobrevivência.
Mas tergiverso, tergiverso.
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A reportagem de capa desta semana da Veja fala de diabetes. Suzi leu um quadro com os sintomas da doença e já começou a achar que tem diabetes também. No meu tempo, eram as reportagens de Hélio Costa no Fantástico que faziam a alegria dos hipocondríacos...
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Uma frase:
"Ao vencedor, as batatas. E para mim, só uma salada mista, por favor". (Tomás Creus)
A difusão de um idioma não depende apenas do número de pessoas que o dominam. Passa, principalmente, por questões de fórum político e econômico. O exemplo mais gritante: a ONU (Organização das Nações Unidas) possui seis idiomas oficiais: inglês, francês, espanhol, chinês, árabe e russo. Não, o português não está entre elas. Portanto, qualquer brasileiro que queira participar de algum congresso ou fórum de discussões nas Nações Unidas é obrigado a dominar uma língua que não seja a sua materna.
À segregação política, segue-se uma correspondente segregação cultural. Um exemplo óbvio: a língua espanhola foi contemplada dez vezes com o Prêmio Nobel de Literatura. Em cinco ocasiões, os vencedores foram escritores da América Latina: a chilena Gabriela Mistral (1945), o guatemalteco Miguel Angel Asturias (1967), o chileno Pablo Neruda (1971), o colombiano Gabriel García Márquez (1982) e o mexicano Octávio Paz (1990). Enquanto isso, a língua portuguesa recebeu apenas um Nobel: em 1998, para o lusitano José Saramago.
Apesar de ser falado por cerca de 220 milhões de pessoas e de ser reconhecido como idioma oficial em oito países (Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Leste), o fato é que o português ainda está muito longe de ser um idioma com o qual possamos nos comunicar em qualquer parte do mundo. Apesar de ser uma língua rica, sonora e farta em manifestações culturais, lá fora não passa de um dialeto de pouca penetração, adotado por países pobres ou periféricos.
Levantamento feito em 2000 posiciona o português como o sexto idioma mais falado do planeta, atrás do mandarim (chinês), hindi, espanhol, inglês e bengali. Contudo, é também a única língua materna de grande porte que possui duas formas oficiais de se grafar. Isso, apesar dos esforços de filólogos como Antônio Houaiss (responsãvel pelo mais abrangente dicionário de nossa língua, com mais de 228 mil verbetes), que sempre defendeu a unificação ortográfica da língua portuguesa como maneira de defendê-la e expandi-la em um mundo globalizado.
Entretanto, a pouca penetração cultural e política do idioma português não pode ser atribuída apenas à dificuldade de sua gramática, à complexidade da conjugação de seus verbos ou à disseminação de acentos e sinais gráficos. São muitos os defensores da tese de que o português deve passar por uma revolução a fim de se equiparar ao inglês, língua desprovida desses empecilhos para o aprendizado. Sou absolutamente contrário a isso. Não é uma solução reducionista e empobrecedora como essa que fará com que o mundo se curve à "última flor do Lácio". Cada idioma é fruto de séculos de História, e para mim é primordial o respeito à evolução temporal, que remove do vocabulário diário de uma pessoa vernáculos como "vitrola" ou "soviético" para acrescentar palavras novas como "blog" ou "marqueteiro".
Quanto aos puristas a la Aldo Rebelo, que defendem a imposição arbitrária da erradicação de termos estrangeiros como "delivery" ou "software", sou obrigado a recorrer ao neologismo do Millôr para dizer que tais atos não passam de idioletices. Fosse sempre assim, o português não conteria, por exemplo, palavras como "alfândega", "azulejo" e "alfaiate", termos de origem árabe que foram incorporadas ao nosso idioma quando da invasão moura da Península Ibérica. E, oras, por que mudar as características naturais de uma língua tão maleável, tão generosa, tão plástica?
O resumo da ópera é este: o idioma português possui abrangência periférica por pura questão de poder, como bem resume este artigo de Moacyr Scilar. E o inglês é o esperanto de nossos tempos simplesmente por causa da hegemonia política, econômica e cultural da Gringoland, que herdou um poderio antes exercido pelo Império Britânico.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa. Para que nossa língua (e, por conseguinte, nossos valores culturais) receba o merecido reconhecimento universal, é preciso discuti-la, difundi-la, valorizá-la. Seja através do necessário domínio das regras gramaticais (gostar é, antes de mais nada, respeitar), seja através do conhecimento da obra daqueles que revigoram o idioma por meio de suas palavras. O intercâmbio entre as culturas lusófonas é fundamental e prazeroso. Quem teve o privilégio de ler autores como os portugueses António Lobo Antunes e Miguel Esteves Cardoso e o moçambicano Mia Couto, ou de apreciar a música da cabo-verdiana Cesária Évora e dos lusitanos Madredeus e Pedro Abrunhosa, ou conhecer a obra de cineastas como o português João César Monteiro e o cabo-verdiano Francisco Manso, sabe do que estou falando.
Sampa - duras ruas caóticas e deslineares
Sampa - sintaxe confusa de sonhos e sons
Sampa - olhares montagem controle remoto
Sampa - broto cinza de crescimento desconexo
Em tuas esquinas me perco e me reencontro
Monstro de gentilezas insuspeitadas
Peito forjado em luz e arabescos
Teu luar anêmico fura o céu sem estrelas
E observa impassível os homens cansados
Sampa, teus sinais verdes são escoamentos de gente
Teus ônibus cheios são viagens redentoras
Nas filas de banco pensando em nada
Pensando pensando pensando e nada
Parques de concreto e lutas abstratas
Putas e pivetes famintos na esquina
Praças, latrinas abertas ao público
Sampa - pútrida, mas tão bela cidade
Sampa que amo e suporto
O silêncio incômodo dos elevadores
A música dispersa das paixões sem espelho
Bocas amargas de palavras recolhidas
E a solidão realçada pela multidão
O vento da madrugada na saída do bar
O azul do céu quando nasce a manhã
A beleza inesperada de tua aurora
Como inesperado é o sorriso banhado em sol e esperança
Uma queda e um reerguer-se contínuos
Sampa, meu coração e minhas angústias
E caminham apressados carregando suas dores
Caminham apressados como se fugissem
Como se pudessem fugir
(poema publicado nas revistas eletrônicas Falaê! e Não)
- Blogueiro profissional. Esta expressão, aparentementemente uma contradição em termos, pode vir a se tornar realidade. Quem está por trás dessa proposta é Sérgio Charlab, um dos primeiros jornalistas especialistas em Internet no Brasil. Ex-editor da revista Internet World, Charlab atualmente é editor-chefe da versão brasileira da Reader's Digest Magazine. Para concorrer a uma vaga de "blogueiro profissional", basta visitar o Professor Blog e seguir as instruções do post de 13 de janeiro. Faça como eu: inscreva-se e passe a notícia para frente!
- O BlogChalking, criado pelo mineiro Daniel de Pádua, é um site que surgiu a partir da seguinte questão: "se eu pudesse fazer uma busca por blogs de pessoas na minha cidade, ou até mesmo no meu bairro, imaginem a facilidade que eu teria de fazer amizades e encontrar pessoalmente essa cambada" (leia aqui uma entrevista de Daniel concedida à revista Pl4y). Partindo desse insight, o BlogChalking tornou-se uma ferramenta adotada por blogueiros do mundo todo, aproveitando o potencial da Internet como interface para o estabelecimento de novas relações humanas. A prova inequívoca do sucesso do BlogChalking no mundo todo acaba de aparecer com a indicação do site de Daniel na categoria "Best Meme" da 3a. edição dos Weblog Awards, premiação promovida anualmente pelo norte-americano Nikolai Nolan. Daniel merece levar essa parada: clique aqui e vote em BlogChalking.
Em tempo: o primeiro brasileiro a ser indicado para os Weblog Awards foi o brasiliense Marcus Amorim, que concorreu em 2001 à categoria de Melhor Blog Latino-Americano.
- Mais de 4.200 blogs inscritos e quase 400.000 comentários cadastrados. O Falou & Disse, melhor sistema independente de comentários para blogs, infelizmente foi obrigado a suspender novos cadastros, devido à limitação dos recursos atuais. Mas fique de olho: a qualquer momento Fábio Sampaio, (ir)responsável pelo F&D e um desses malucos quixotescos que fazem da Web um lugar melhor, voltará a disponibilizar novas inscrições. O Falou & Disse, assim como as melhores coisas da vida, é totalmente gratuito.
- Faltam 34 dias para o fim da votação no iBest Blog. Você já votou em Pensar Enlouquece? =) Sim, eu sei que é chato você ser obrigado a preencher um cadastro para poder votar. Mas, em compensação, todos os participantes da votação concorrem ao sorteio de um Citröen Xsara Picasso 0Km. A casa penhorada agradece. :)
Sim, eu admito: assisto ao Big Brother 3 na Globo e gosto. E sequer inventarei desculpas do tipo "é por interesse sociológico". Todo reality-show atiça o lado voyeur que existe dentro de mim, e eu simplesmente me divirto horrores ao contemplar esses aquários eletrônicos de gente.
Quase tão divertido quanto acompanhar o programa é ler os relatos que são publicados no site oficial do BBB3, ricos em detalhes das desventuras dos participantes, insistentemente chamados por Pedro Bial de "heróis" (essa palavra tão banalizada). Confiram:
Reunidos no jardim e já bem altos por causa do champanhe, Alan, Joseane, Emilio e Marcelo dizem as vogais em ritmo de rap e arroto:
"Ahr, ehr, ihr, ohr, uhr!", cada um deles pronuncia uma vogal arrotando. O que faz o álcool...
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Dhomini prossegue com suas tentativas de conquista da bela bailarina Sabrina. A intimidade entre os dois está aumentando. A gata, conversando com o mineiro no quarto, perguntou: "Veja se eu estou com chulé?".
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Dilsinho está na sala e prossegue com suas perólas: 'Sabrina, você nunca foi miss bumbum?'. A moça respondeu sem graça: "Não!".
"Eu nunca vi uma japonesinha bunduda igual a você", esclareceu. Jean, que escutava, retrucou: "A minha também é".
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Emilio chega e participa do papo entre Jean e Dhomini sobre como controlar o desejo sexual. Para o mergulhador, "se rolar alguma coisa com alguém na casa, é zebra".
Dhomini se mostra "entendido" no assunto, dizendo que a energia circula e se transforma em minerais: "É fluídico".
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As pintinhas de Sabrina estão intrigando Dhomini. Numa conversa na varanda, os dois estão juntinhos na rede tentando contabilizar as marquinhas da moça. "Eu devo ter mais de 70 no corpo inteiro", conta a paulistinha de Penápolis. "Só de olhar, já tem umas 50", exagera Dhomini, para, em seguida, fazer uma sugestão. "Vamos catalogá-las? A gente separa uma por uma e vai dando nome a elas".
* * *
Durante o papo sobre namoro e traição, o tímido Jean faz uma revelação: "Já traí minhas ex-namoradas algumas vezes. E elas descobriram". Dilsinho faz uma pergunta, em seu francês caipira: "E aí la maison est tombée, né?" (A frase, que significa "A casa caiu", já virou um bordão do BBB3)
Jean tenta se explicar: "Eu tenho uma imaturidade que é a seguinte: tenho uma coisa que é tentar provar o poder de sedução". O massoterapeuta continua sua auto-análise: "É, aquele lance. Quando não estou namorando, eu só chego numa mulher na certeza. Eu não tenho a manha de conversar, de conquistar na hora. Mas quando vejo uma mulher me dando mole, sinto uma coisa no ego. Aqui na casa, estou tentando lutar contra isso. Não tem como eu não me colocar no lugar da minha namorada. Imagina a família dela assistindo a tudo! Mas não vou negar que a situação é periclitante."
Fico imaginando como seria a descrição do meu cotidiano caso minha vida fosse acompanhada por câmeras, à semelhança do personagem de Jim Carrey no filme O Show de Truman. Por certo, seria uma situação deveras periclitante. Ou fluídica, dependendo do momento...
Em tempo: Luciana Naomi é a primeira leitora deste blog que concordou com minha observação a respeito da semelhança física entre Sabrina e Shannen Doherty, que fazia a Brenda Walsh de Barrados no Baile. Sintam o drama:
Parafraseio aquela seção da revista VIP: "separadas no nascimento?".
Para quem não sabe, sou criador e editor, junto com o jornalista curitibano Ricardo Sabbag, do Spam Zine, fanzine por e-mail com cerca de 3.000 assinantes espalhados mundo afora, e que em quase dois anos já publicou mais de cem novos autores (assine djá!). Pois bem, na edição 023, publicada em 8 de julho de 2001, escrevi um editorial dedicado a títulos esdrúxulos que filmes estrangeiros recebem aqui no Brasil. O exemplo que me motivara a tergiversar sobre o tema fôra Brother, longa do diretor japonês Takeshi Kitano, que ganhou por estas bandas o tétrico complemento "A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles" - típico caso de subtítulo de singela redundância redundante. O tema dos títulos infelizes não envelhece, e o exemplo mais recente é o novo filme de David Cronenberg, Spider, rebatizado como Spider - Desafie Sua Mente.
Na época, vários assinantes do Spam Zine como Nemo Nox recordaram de outras traduções ao melhor estilo "monopólio exclusivo", ou seja, as pleonásticas. Exemplos: Hurricane - o Furacão e O Pequeno Stuart Little. Nemo também destacou que, em Portugal, o clássico hitchcockiano Vertigo, traduzido por aqui como Um Corpo que Cai, ganhou o infeliz título de A Mulher que Viveu Duas Vezes, ou seja, entregando o final logo de cara. Fiquei pensando: e se a moda pegasse aqui no Brasil? É de se imaginar que aberrações poderiam vir: Sexto Sentido ganharia o título de Um Médico do Outro Mundo, Édipo Rei seria conhecido como O Filho que Comeu a Mãe, Os Suspeitos poderia ser rebatizado para O Perneta Mentiroso, e Cidadão Kane ganharia o subtítulo Um Trenó Chamado Rosebud. A propósito: o clássico de Orson Welles recebeu em Portugal o título O Mundo a Seus Pés.
O assunto gerou piadas clássicas, como a lenda urbana que afirma que Psicose teria sido renomeado em Portugal como O Filho que Era Mãe. Mario AV lembrou de outra maldade (certamente criada por um brasileiro), segundo a qual Apocalypse Now teria sido batizado por nossos amigos lusitanos como O Carabineiro Valentão. Mas muito melhores são as pérolas da vida real. Fazendo uma pesquisa no sítio português Cinedie, me deliciei com traduções de originalidade tão duvidosa quanto as dos brasileiros. Exemplos?
Do The Right Thing, filme de Spike Lee traduzido literalmente no Brasil como Faça a Coisa Certa, recebeu em além-mar o título Não Dês Bronca. Speed, ou Velocidade Máxima no Brasil, é conhecido por lá como Perigo a Alta Velocidade. Die Hard (Duro de Matar) virou Assalto ao Arranha Céus (Duro de Matar II, coerentemente, é conhecido em Portugal como Assalto ao Aeroporto). Outros exemplos lusitanos? Ghost = O Espírito do Amor. Ou The French Connection (Operação França) = Os Incorruptíveis Contra a Droga.
Entretanto, há casos em que fica difícil dizer se Brasil ou Portugal são, digamos assim, mais "criativos". Vide Ferris Bueller Day's Off, clássico dos anos 80 dirigido por John Hughes. Enquanto o Brasil o conhece como Curtindo a Vida Adoidado, os portugueses o chamam de O Rei dos Gazeteiros. City Slickers, comédia sobre três homens da cidade perdidos no velho oeste com Billy Crystal e Jack Palance, é chamado pelos brasileiros de Amigos, Sempre Amigos, mas os lusitanos foram mais longe, e tascaram: A Vida, o Amor e as Vacas. E Big Trouble in Little China, com Kurt Russell, tradicional habitué da Sessão da Tarde? No Brasil, é conhecido como Os Aventureiros do Bairro Proibido. Em Portugal... As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim.
Luciana Naomi, outra assinante do SZ, enviou uma ótima lista com mais títulos esdrúxulos, tais como:
Annie Hall (a obra-prima do Woody Allen) - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
Shane - Os Brutos Também Amam
Chains of Gold - Correntes Alucinantes
Giant - Assim Caminha a Humanidade
Grease - Nos Tempos da Brilhantina
Blade Runner - O Caçador de Andróides
The Front - Testa de Ferro por Acaso
Mais um exemplo de lascar é Memento, de Christopher Nolan, conhecido na Terra Brasilis como Amnésia. Oras, qualquer um que assistiu a este filme sabe que o protagonista não sofre de amnésia. Contudo, talvez mais estrambóticos ainda sejam os casos nos quais nossas distribuidoras insistem em usar subtítulos que resumem a trama dos filmes, como em Trainspotting - Sem Limites, Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento e Atlantis - O Reino Perdido. Imaginem se a moda pegasse na época de Shakespeare, que títulos ele não teria dado? Romeu & Julieta - Um Amor Mortal, Hamlet - Um Príncipe Muito Louco, Macbeth - Loucuras de uma Esposa...
Morreu ontem, aos 99 anos de idade, Al Hirschfeld, um dos maiores artistas gráficos norte-americanos de todos os tempos. Seu traço fino e elegante ocupou as páginas do The New York Times por mais de sete décadas, retratando artistas e personalidades que vão desde Dorothy Parker até as atrizes de Sex and the City. Hirschfeld também ficou conhecido por esconder a palavra "Nina", nome de sua filha, nos traços de todos os seus desenhos (tente encontrá-la na caricatura dos Beatles que ilustra este post). Recomendação expressa da casa: conheça melhor a obra de Hirschfeld visitando o seu site oficial.
Desde que Ana Maria Bahiana deixou de escrever a coluna "Hollywoodianas" no jornal O Globo, sentia falta de seus textos argutos e deliciosos sobre a sétima arte. Hoje, ao navegar pela página da BBC Brasil, tive uma agradável surpresa: encontrei um artigo da Ana sobre o Globo de Ouro, premiação da Associação de Imprensa Internacional de Hollywood cujos vencedores serão anunciados neste próximo domingo. Vale a pena conferir a matéria (Ana Maria Bahiana é, a propósito, uma das votantes do Globo de Ouro), que destaca, dentre outros assuntos, as similariedades entre dois concorrentes ao prêmio: Gangues de Nova York, filme pelo qual Martin Scorcese pode, enfim, receber um merecidíssimo Oscar de Melhor Diretor, e Cidade de Deus, o longa de Fernando Meirelles e Kátia Lund que disputa a categoria de Melhor Filme Estrangeiro com o brilhante Fale Com Ela, do espanhol Pedro Almodóvar.
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E por falar em premiações, o Book Awards é um site que busca compilar todos os prêmios literários possíveis. É uma página indubitavelmente democrática: encontra-se de tudo, desde as láureas mais consagradas, como o Nobel ou o Pulitzer, até premiações, digamos, mais segmentadas. Como o Gaylactic Network Spectrum Award, criado em 1998 para destacar obras de ficção científica, fantasia ou horror que "tratam de forma positiva temas ou personagens gays, lésbicos, bissexuais ou transexuais". Ou o Bad Sex in Fiction Awards, que "premia" as mais constrangeradoras, redundantes e embaraçosas descrições do ato de se conhecer alguém biblicamente. Por exemplo: em 2000, o laureado foi o escritor Sean Thomas, pelo livro Kissing England. Eis a sua excitantíssima descrição:
"It is time, time ... Now. Yes. She is so small and compact and yet she has all the necessary features ... Shall I compare thee to a Sony Walkman. She is his own Toshiba, his dinky little JVC, his sweet Aiwa ... Aiwa".
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Host clubs: casas noturnas japonesas voltadas exclusivamente para mulheres, com atendentes masculinos especialmente treinados para fazer com que sua clientela sinta-se muito, muito à vontade. À maneira das tradicionais gueixas, os hosts de cada estabelecimento atendem jovens senhoras em um ambiente requintado, acompanhando-as em drinques e jantares. São atenciosos, ouvem seus desabafos, sorriem, acendem seus cigarros, fazem massagens em suas costas e, ocasionalmente (não é obrigatório), fazem sexo com elas.
Matéria do Japan Times relata o sucesso crescente destes lugares, descritos por um proprietário desses clubes como uma espécie de Disneylândia para mulheres, na qual ilusões são vendidas. Não é de se admirar o sucesso desse tipo de estabelecimento no Japão, país tradicionalmente patriarcal. Relata uma de suas freqüentadoras: "é muito estressante manter homens satisfeitos. É maravilhoso ter homens aqui me paparicando". Outra cliente completa: "aqui os papéis são invertidos, e eu simplesmente amo isso". Usagi Nakamura, 44, colunista semanal em uma revista, é uma das clientes habituais desses estabelecimentos: gastou nada menos do que US$ 125 mil em seu host club predileto em apenas um ano.
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Bóbvio ululante: a música mais cantada pelos participantes do Big Brother Brasil 3 é a indefectível "Já Sei Namorar" dos Tribalistas, aquela mesma cujo refrão afirma que "eu sou de todo mundo e todo mundo é de ninguém". Joaquim Ferreira dos Santos, ótimo como de habitual, relata no site No Mínimo a abordagem paquidermicamente sutil com que Dilson, conhecido pelos amigos pelo singelo apelido de Mad Max, assediou Joseana, atual Miss Brasil e uma das participantes do reality-show. Vale a pena transcrever a descrição de Joaquim Ferreira para esta antológica cantada:
"'Canta olhando pra mim', pede Dilson, o Mister Brasil, com a voz sussurrante que ouviu em alguma novela das seis. 'Na boa, cara, no momento em que te vi, você dobrou meus joelhos. Sabe, cara, é um lance lá de dentro, de carma, tá entendendo. Eu nunca fui dobrado, mas você conseguiu. Seus olhos. Nunca senti uma coisa forte assim que me pudesse tirar o fôlego. Não sei se você está reparando, mas eu estou sem fôlego, cara. Eu tô com a perna bamba. Não tenho nada, saca. Não sou nada. Não sei de onde eu vim, não sei pra onde eu vou. Sou simples, sou eu. Me beija? Por que não? Me dá um motivo, um só, para não me beijar! Você pode dizer que eu sou apressado para tirar essas conclusões, mal eu te conheci. Mas foi o que eu senti desde que te vi. Você é uma pessoa iluminada. E por ser iluminada me chamou a atenção'".
Tá certo que a paixão aparvalha neurônios, afugenta cartesianismos e desperta o lado Waldick Soriano que há em cada de um de nós, mas também não precisar esculachar, certo cara? Enfim, mais interessante no programa, ao menos para este missivista que vos escreve, é vislumbrar na tela o sorriso de Sabrina, a "caipira" do Big Brother. Paulista de Penápolis, Sabrina é o resultado de um amálgama bem-sucedido de antepassados de sangue nipônico, libanês e suíço. Um viva à miscigenação racial! =)
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A edição 5 da revista Zero traz uma enquete na qual mais de 170 artistas e críticos escolhem os melhores álbuns do rock nacional dos últimos 20 anos. Confesso que fiquei surpreso com o primeiro lugar: "Nós Vamos Invadir Sua Praia", do Ultraje a Rigor. É um álbum despretensioso, juvenil, irreverente, repleto de gemas pop como "Rebelde Sem Causa", "Independente Futebol Clube", "Ciúme" e o primeiro hit da banda, "Inútil", que chegou a ser citada por Ulysses Guimarães durante a campanha pelas Diretas Já em 1984. Outro fato que me chamou a atenção foi a presença de Liminha, ex-baixista dos Mutantes, na produção de quatro dos álbuns elencados entre os dez melhores. Além do disco do Ultraje, Liminha produziu "Cabeça Dinossauro", dos Titãs (2. lugar), "Vivendo e Não Aprendendo", do Ira! (5. lugar) e "Da Lama ao Caos", de Chico Science e Nação Zumbi (9. lugar). Apesar dessa quase onipresença, Liminha não é unanimidade entre os músicos. Nasi e Edgard Scandurra do Ira! chegaram a abandonar as gravações devido a divergências com o produtor.
A revista traz ainda uma divertida matéria com Renato Marcello, presidente de um fã-clube do grupo Rush, que foi levado pela Zero para conhecer pessoalmente seus ídolos. Compartilho com Renato a admiração por Neil Peart, exímio baterista do Rush, embora jamais chegasse ao exagero do meu colega, que afirma: "quase fiz cocô mole quando Neil veio na minha direção no aeroporto".
UPDATE: Fale Com Ela ganhou, merecidamente, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Um alento para as chances de Cidade de Deus no Oscar reside no fato de a Espanha, inexplicavelmente, ter indicado outro filme para a premiação: As Segundas-Feiras ao Sol, de Fernando León de Aranoa. Em tempo: sou só eu que acho a Sabrina do BBB 3 parecida (embora seja mais bonita) com a Brenda Walsh do seriado Barrados no Baile?
1. Joseilton levantou-se do banco do ônibus para permitir que a senhora sentasse. Ela não agradeceu, e Joseilton se arrependeu profundamente. "Velhinha filha da puta", pensou enquanto ajeitava os livros de química debaixo do braço.
2. "Eu quero ser o desodorante do seu sovaco". A expressão do rosto de Graicequéli após ouvir estas palavras disse tudo, e Onaireves passou mais uma noite batendo punheta.
3. Roberto Capixaba perdeu o pênalti aos 44 minutos do segundo tempo, e seu time perdeu a quinta partida seguida. Antes de descer para os vestiários, ouviu o grito de um torcedor: "eu tenho vergonha de voltar para casa e olhar para o meu filho!". Naquela noite, Roberto Capixaba broxou.
4. Gustavo estava escrevendo um conto sobre coprofagia, mas não sabia como descrever o gosto da merda. Em nome da literatura, decidiu comer suas próprias fezes. Não ajudou muito: a merda tinha gosto de merda.
5. Crisleine olhou para baixo, sentiu o coração dar uma cambalhota dentro do peito e decidiu voltar para dentro. "Não vale a pena jogar tudo fora por causa de um babaca", concluiu. Um pombo surgiu, repentinamente, batendo as asas. Antes de se estatelar na calçada, teve tempo de pensar que sequer havia escrito uma carta de suicídio.
6. Jonas estava ao lado da namorada quando viu, do outro lado da rua, um mendigo pisar numa casca de banana e cair de bunda no chão. Conseguiu reprimir a gargalhada a tempo.
7. A primeira vez que Alessandro se apaixonou por Bebel foi quando viu as covinhas que surgiam em seu rosto quando ela sorria. A segunda vez, quando descobriu que ela gostava de AC/DC e Black Sabbath. A terceira, quando Bebel disse "eu vou morrer, eu vou morrer" na hora de gozar.
8. Sábado torrencialmente chuvoso. Em vez de viajar para Bragança Paulista, como fazia todos os fins de semana junto com a esposa, Gaspar resolveu passar o dia arrumando as bugigangas na garagem. No meio das pilhas de caixas, encontrou uma cueca com um autógrafo do Roy, dos Menudos. Divorciou-se três semanas depois.
9. Quando Márcia viu que sua carreira de atriz pornô estava chegando ao fim, sucumbiu enfim aos insistentes pedidos de casamento de João Oswaldo, zelador do seu condomínio. Hoje, quinze anos depois, Márcia deu a João como presente de aniversário de casamento uma caixa de Viagra.
10. Pedro vendeu sua alma ao diabo em troca da juventude eterna. Não precisou regatear muito para que o demônio lhe concedesse uma outra benesse: "que a pessoa que eu amo viva comigo". Pedro e Letícia viveram jovens por mais de setenta anos. Mas o amor acabou, e Letícia envelheceu anos em minutos por entre os braços de Pedro, até se desvanecer completamente em pó.
16.1.03 Vi "A Super Fêmea" apenas uma vez na vida, quando foi exibido na "Sala Especial", sessão de filmes que a TV Record apresentava todas as sextas-feiras, às 23 horas, em meados dos anos 80. A "Sala" exibia exclusivamente pornochanchadas brasileiras, na maioria das vezes produzidas pela Boca do Lixo paulistana. Eram obras com títulos como Histórias que Nossas Babás Não Contavam (que atraiu mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas), Elas São do Baralho (com roteiro de Rubens Ewald Filho e direção de Silvio de Abreu), Mulher Objeto, A Ilha das Cangaceiras Virgens (estrelado por Aldine Müller, Wilza Carla e Helena Ramos) e o cRássico O Bem Dotado - O Homem de Itu, protagonizado por Nuno Leal Maia (o inolvidável Tony Carrado da novela Mandala) cuja descrição no Internet Movie Database é digna de menção:
"Shy countryboy from Itu (a town in Brazil where everything is unusually big) is invited to work in the house of a rich woman, who ends up discovering the boy's hidden (and big) qualities..."
Assistia a esses filmes toscos na penumbra da sala, com o volume no mínimo e a excitação que só as coisas proibidas podem nos trazer. Foi por intermédio da "Sala Especial" que vi pela primeira vez coxas, peitos, bundas, antes mesmo de começar a me interessar pelo sexo oposto. Quando A Super Fêmea foi exibido na TV, eu devia ter uns oito ou nove anos. Do pouco que me recordo, sei que era uma ficção científica bastante confusa, na qual Vera Fischer interpretava uma mulher cujos dotes físicos e de sedução haviam sido hiperdesenvolvidos por cientistas malucos. Obviamente, um roteiro engendrado para criar situações nas quais Vera pudesse exibir seu corpanzil, que lhe rendeu a coroa de Miss Brasil em 1969.
Sobre as pornochanchadas, vale a pena conferir a análise feita pelos críticos da revista de cinema Contracampo, que resgata a estética de um gênero que chegou a produzir mais de 50 filmes por ano.
15.1.03 Sim, eu tenho um livro pronto. Mas ele não verá a luz do sol nem a curto, nem a médio prazo. Poemas necessitam envelhecer como vinhos; e nada melhor do que o tempo para discernir os que envelhecerão bem daqueles que não passavam de vinagre. Contudo, deixo aqui uma amostra dos meus garranchos. Minha influência-mor, não posso deixar de reconhecer, é mestre Julio Cortázar.
No princípio, a carne sem verbo. Meus braços, como serpentes, envolvem o seu corpo. Você me olha e sorri, menina em corpo de mulher. Fecho meus olhos e beijo sua boca, os olhos fechados como se ouvisse música. Nossos lábios unem-se com fúria, minha língua é um peixe vermelho transcendendo os limites de aquário no céu da sua boca. Afogamo-nos um no outro, desesperados como dois condenados à morte. Suas unhas, feito raízes na terra, cravam-se em minha carne buscando apoio contra a queda. Mas você abre os seus olhos negros assim como eu abro os meus, seu olhar entrega-se ao meu: noite mergulhando na noite, fogo fecundando o caos. Seu corpo estremece mas sua voz firme e segura me diz "sim". Em seus olhos negros de noite sem luar eu vejo o reflexo dos meus; em seus olhos negros faz-se então a luz.
(texto escrito em algum momento entre 1997 e 1998)
Nunca me esqueci de um pára-choques de caminhão, que vi há muitos anos, e que dizia mais ou menos o seguinte: "Que Deus abençoe os loucos, pois este mundo não nos dá motivos para sermos sãos". O tempo me provou: essa frase é cada vez mais atual.
Para quem não sabe, Pensar Enlouquece é um dos 10 indicados ao Prêmio iBest Blog. Os concorrentes são de peso, e estou correndo por fora na luta por R$ 20 mil em barras de ouro. Que, convenhamos, viriam muito bem a calhar. :) Se você quiser me dar aquela forcinha, este é o link a ser divulgado para a votação neste blog.
Todos os dias do ano alguém faz aniversário. Logo, todo dia deveria ser dia de festa. Certos estavam os personagens de Lewis Carroll, que comemoravam seus desaniversários. Afinal de contas, por que celebrar apenas um dia do ano, renegando os outros 364?
Neste ano de 2003, completarei 30 primaveras. Catzo, vou me tornar balzaquiano! Alguns amigos já sugerem comemoração em um bingo, outros acham mais adequado alugar uma quadra de bocha. A eles, respondo: não é que estou ficando velho, tudo é uma simples questão de acumulação de know how através dos anos. Eufemismos à parte, o fato é que nunca fui muito fã de aniversários. Sei lá, perderam o encanto, da mesma maneira que não vejo mais graça no Natal.
Existe ainda a questão do tempo, que sempre encarei como meu inimigo. Provavelmente, porque sou inapelavelmente incompetente em administrá-lo: nunca dá tempo para fazer nada. Vivo sempre apressado e atrasado em fazer as coisas, como aquele coelhinho branco que Alice encontra depois de dormir ao ler um livro. Muitas vezes, dando um rewind no filme da minha vida, me assusto em perceber como a vida passa rapidamente, e como meus programas preferidos no rádio se tornaram aqueles de flashbacks. Preciso dar uma desacelerada, despertar o Caymmi que há dentro de mim. Chega do ritmo maluco de motoboys costurando no trânsito, sites repletos de informações voláteis, refeições engolidas com gosto de indigestão.
Bobagem encarar o tempo como vilão - está longe de poder ser personificado como a Rainha de Copas, pedindo a todo custo para que cortem-me a cabeça. Houve tempos em que eu queria envelhecer logo, a fim de poder ver os filmes da Sessão Coruja, beijar na boca a menina mais bonita da classe, e coisas do tipo. Mas o fato é que estou chegando à metade da minha vida. Quase como Humpty Dumpty, aquele ovo gigante que, sentado em cima de um muro, vislumbra o mundo no meio do caminho entre a certidão de nascimento e o atestado de óbito. O que fiz, o que farei, o que almejo para o futuro?
Aniversários, na verdade, assemelham-se mais a réveillons: são ocasiões apropriadas para se refletir a respeito da vida. É, nada como uma boa desculpa para beber champanhe, e lembrar que todo dia é dia de recomeçar. Philip Larkin, um de meus autores prediletos, escreveu em seu poema As Árvores: "ano passado morreu, parecem dizer/ comece de novo, de novo, de novo".
Que assim seja.
(versão remixada e remasterizada de texto publicado no Spam Zine 026)
13.1.03 Não dou um ano para que alguma novela da Globo tenha um personagem que, nas horas vagas, se meta a blogar. É inegável: weblogs multiplicam-se no ciberespaço tupiniquim com a velocidade de Gremlins molhados. Você percebe que a coisa começa a ficar séria quando o assunto vira tema de livro ("BLOGS!", de Marcos José Pinto) e de duas teses de mestrado, desenvolvidas por Rosa Meire Carvalho de Oliveira, da UFBA, e Denise Schittine, da UFRJ, além de se tornar categoria da mais conhecida premiação da Internet brasileira. Porém, não quero fazer especulações acerca da ferramenta em si. Sobre o tema, vale mais a pena ler a trilogia escrita por Nemo Nox (Os Escribas Estão Soltos, Da Crônica ao Metajornalismo e Colônias Temáticas e Comportamento Emergente).
Gostaria apenas de destacar o aspecto que mais me atrai na ferramenta blog: a possibilidade de você ser o seu próprio editor. Ao contrário dos jornais, revistas e grandes portais da Web, em um blog eu posso publicar o que bem entender e quando desejar. Se me der na telha, posso postar aqui uma receita de cuscuz, uma entrevista que fiz com o amolador de facas do meu bairro, um poema sobre coqueiros translúcidos que tocam guarânias ou uma foto da minha prima ao lado de Thomas Pynchon. Ou, se quiser ir de encontro ao lugar-comum, transformar este espaço em um diário online da minha vida ("querido diário, hoje eu cortei minhas unhas do pé"), embora pense, particulamente, que isso seria subutilização de uma ferramenta tão bacana e com tanto potencial. Enfim, como diriam os punks, "do it yourself", para o bem e para o mal.
Não creio que os weblogs sejam um hype passageiro, mesmo porque escrever jamais saiu de moda. As possibilidades são inúmeras: desde abrir novas possibilidades para jornalistas até servir como válvula de escape para produções literárias (como é o caso da blogueira Ana Maria Gonçalves, que recém-publicou seu livro Ao Lado e à Margem do que Sentes por Mim). Bobviamente, ninguém deve se iludir, acreditando piamente que a criação de um blog é passo garantido para os holofotes do sucesso. Claro, a não ser que você também creia em coelhinho da Páscoa, deputados do PRONA e promessas do tipo "só vou pôr a cabecinha, meu bem". Contudo, se você possuir talento, criatividade e um pouco de sorte, quem sabe?
O melhor exemplo do que eu digo é Daniela Abade, criadora do Mundo Perfeito. Eu, que acompanho sua página desde os tempos de blogspot, fiquei mais do que contente ao saber das boas novas: o Mundo Perfeito agora faz parte do portal Terra e passa a ser acessado no endereço http://mundoperfeito.terra.com.br. E, melhor ainda: seu romance "Depois que Acabou" será lançado em fevereiro pela Editora Gênese (obviamente pretendo estar na noite de lançamento para garantir meu exemplar autografado).
É, de vez em quando este mundo pra lá de imperfeito me surpreende positivamente. :)
Como acabei de escrever logo acima que uso este espaço para publicar o que me der na cachola, segue abaixo um post despretensiosíssimo discorrendo sobre um de meus seriados prediletos...
TOP 5 COADJUVANTES BACANAS DE "ANOS INCRÍVEIS":
Madeline Adams foi a mais estonteante de todas as mulheres que passaram pela vida de Kevin Arnold. Os fãs de Winnie Cooper que me desculpem, mas desde que Madeline, colega de Kevin nas aulas de francês, apareceu na série (no episódio 48 - "Ninth Grade Man"), não pude deixar de fomentar uma irresistível paixão platônica por ela. O que dizer de minha expressão de embasbacado quando Madeline aparecia fazendo biquinho ao falar francês? Ulá-lá! Em Wonder Years, a relação de Madeline com Kevin nunca ultrapassou o mero flerte (eu não pestanejaria em deixar Winnie de lado, mas enfim...). A propósito: ao fuçar a Web em busca de mais informações sobre a personagem, descobri que há muitos outros incautos que se apaixonaram por Madeline, a ponto de ter sido criado um site só com imagens de Julie Condra (a bela atriz que interpretou a personagem) no seriado. Confiram aqui.
Mr. Collins, o professor de álgebra de Kevin Arnold, foi o personagem responsável por um dos momentos mais comoventes de toda série, no episódio 43, "Goodbye" (apontado por Fred Savage, o ator que interpretava Kevin, como o seu predileto). O caçula dos Arnolds, inconformado com as baixas notas que recebeu no exame de álgebra, procura Mr. Collins (interpretado por Steven Gilborn) para contestar suas avaliações. O professor oferece-lhe aulas particulares, mas depois de algumas semanas interrompe as lições, sem dar maiores explicações. Kevin se sente abandonado pelo mestre e propositadamente responde às questões de seu exame com respostas nonsense. Poucos dias depois, a verdade aparece: Mr. Collins morre, em decorrência de problemas de saúde que não havia revelado a ninguém. A seqüência final, que exibe a reação de Kevin após saber da notícia, é daquelas de dar nó na garganta...
Sim, você já viu esse ator em algum outro lugar. David Schwimmer, o Ross do sitcom "Friends", participou de "Anos Incríveis" fazendo o papel de Michael, o namorado da irmã mais velha de Kevin, Karen Arnold. No seriado, Karen fazia o papel da adolescente contestadora, sempre divergindo do pai quanto a questões como a Guerra do Vietnã e o movimento hippie. E enquanto os pais de Kevin, Jack e Norma, representavam a tradicional família conservadora americana, Karen era a riponga que traduzia as inquietações da juventude dos anos 60. Michael era um cara desencanado, que morava em uma casa caindo aos pedaços e tinha um furgão cuja carcaça era constante ameaça de tétano. Após inúmeras brigas e reconciliações, acabou se casando com Karen em uma cerimônia zen-budista, e se mudando com a filha dos Arnolds para o Alasca.
Antes de Kevin Arnold começar a namorar com Winnie Cooper, ele teve tempo de despedaçar o coração de Becky Slater. Menina de personalidade, respondeu à proposta de amizade de Kevin dando-lhe um soco no estômago. Não contente com isso, passou a infernizar a vida de Kevin, que só foi poupado depois que começou a namorar outro colega da escola, Craig Hobson (mulheres feridas e rancorosas: a raça mais perigosa na face da Terra). Uma curiosidade que descobri depois: a atriz que interpretava Becky Slater, Crystal McKellar, na vida real é irmã de Danica McKellar, que fazia Winnie Cooper no seriado. Nunca havia reparado na semelhança entre as duas...
É clássico: todo seriado cômico que se preze precisa ter um coadjuvante com alguns neurônios a menos. No caso de "Anos Incríveis", esse papel foi seguido à perfeição por Andrew Mark Berman, que interpretava o personagem de Chuck Coleman. Devidamente caracterizado com alguns tiques nervosos no rosto, e sempre mascando chicletes, Chuck era o responsável pelas perguntas mais ingênuas dentro da turma de Kevin, que contava ainda com figuras como Paul Pfeiffer (interpretado por Josh Saviano, ator que, a despeito das lendas urbanas que correm pela Internet, não tem nada a ver com o cantor Marilyn Manson) e Jeff Billings (uma das primeiras aparições de Giovanni Ribisi, ator que faria posteriormente filmes de sucesso como "O Resgate do Soldado Ryan").
Na edição do domingo passado, a Revista da Folha compilou 80 idéias para mudar em 2003. Apesar de muitos lugares-comuns vagamente paulocoelhísticos, do tipo "aprenda a respirar", "mentalize cenas agradáveis" e "não tenha medo de abraçar uma criança", gostei de algumas declarações dadas pelos 51 entrevistados. Alguns destaques:
- "Não espere por Deus". (Roberto Audio, ator de teatro)
- "Dê menos importância a você mesmo". (Ronaldo Vainfas, historiador)
- "Contemple. A modernização generalizada está tirando do homem a sua capacidade de contemplação, no sentido de olhar, pensar, amar e sonhar". (Walter Carvalho, fotógrafo e cineasta)
Como era de se esperar, os conselhos mais espirituosos vieram do escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo. Sigamos os seus preceitos para 2003:
"Não, repito, não acredite que o melhor do piercing no pênis é quando inflama. Dedique-se aos clássicos: Sófocles, Virgílio, Shakespeare e, entre os picolés da Kibon, o de coco. Fora isso, improvise".
* * *
Reportagem do New York Times destaca a reedição de "Os Prazeres do Sexo", livro do Dr. Alex Comfort publicado há 30 anos, e que vendeu cerca de oito milhões de cópias em todo o mundo. A reportagem de Christopher Bucklet destaca que muita coisa aconteceu com relação ao sexo desde 1972: a AIDS, o wonderbra, o charuto em Mônica Lewinski, o Viagra, os implantes de silicone (aqui no Brasil, poderíamos destacar a evolução do sexo na TV desde o Sala Especial na Record até os programas da Monique Evans na Rede TV! e o Peep MTV, as dançarinas de axé music, a mulata Globeleza, Luma de Oliveira, G Magazine, Vera Fischer e a chegada da Aids no Brasil a partir da morte do cabeleireiro Markito, e que vitimaria outras personalidades como Betinho, Cazuza, Lauro Corona e Sandra Bréa).
Sobre o livro em si, a matéria de Bucklet chama a atenção para a ênfase que o Dr. Alex Comfort dá para uma singela parte da anatomia humana: as axilas. Segundo o sexólogo, raspar os pêlos das axilas seria "vandalismo ignorante". E mais: segundo Comfort, elas são um "local clássico para beijos, e podem ser usadas, em vez da palma da mão, para silenciar seu parceiro durante o clímax".
Um único comentário: como sempre costumo dizer, você só conhece verdadeiramente uma pessoa entre quatro paredes.
* * *
Não vi ninguém comentar uma das enquetes mais amplas que já vi a respeito de música, cujos resultados foram divulgados no final do ano passado. O serviço mundial da rádio inglesa BBC, que funciona há 70 anos e possui milhões de ouvintes em 155 países, fez a seguinte pergunta a seus ouvintes: "qual é a melhor canção de todos os tempos?". Os resultados foram surpreendentes: nada de Beatles, Elvis Presley, Cole Porter, Bob Dylan, Edith Piaf, Madonna ou irmãos Gershwin no Top Ten. A música mais votada foi um hino de louvor à independência da Irlanda, "A Nation Once Again", composta em 1840 por Thomas Osbourne Davis, e regravada com grande sucesso pelo grupo folk The Wolfe Tones em 1964.
Completando a lista das dez canções mais votadas, aparecem sete músicas do continente asiático. Como "Vande Mataram", o segundo lugar, popular canção da Índia, e "Dil Dil Pakistan", sucesso gravado nos anos 80 pelo grupo paquistanês Vital Signs. Os representantes da música pop ocidental melhor colocados na enquete da BBC foram "Believe", de Cher (sem trocadilhos: creiam-me, é isso mesmo), na oitava colocação, e "Bohemian Rhapsody", do Queen, que ficou em décimo lugar. Os resultados finais provam que há muito mais diversidade musical no planeta do que permitem entrever as repetitivas programações de nossas rádios e televisões, extremamente centradas nas "tendências" lançadas por uma indústria que costuma englobar tudo que não seja pop no balaio de gatos da categoria "World Music".
Em tempo: cerca de 7.000 músicas foram citadas em mais de 150.000 votos oriundos de lugares como Botswana, Ilhas Caícos e até mesmo a Antártida. Os artistas mais citados foram os Beatles (55 músicas lembradas), o cantor iraniano Googoosh (40) e o jamaicano Bob Marley (29). Na América Latina, a canção melhor votada foi "Garota de Ipanema", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Você encontra mais informações sobre a enquete (incluindo as músicas disponíveis em formato Real Audio) no site da BBC. Clique aqui:
E por falar em garota de Ipanema, não é que Helô Pinheiro posará nua ao lado de sua filha Ticiane? Eu, que confesso ter um Complexo de Édipo mal resolvido, gostei do fato de a Playboy ter convidado uma mulher de 55 anos para aparecer em suas páginas, mesmo porque juventude não é necessariamente sinônimo de corpo perfeito. Que o digam os editores de arte da Playboy; segundo a coluna de Ricardo Feltrin na Folha Online, o tão festejado número com Thaís Ventura do BBB2 na capa necessitou mais de 130 horas (!!!) de edição no computador, a fim de ocultar estrias, celulites, manchas de pele e pelancas.
Por falar no assunto, não que eu quisesse vê-la (muito pelo contrário), mas alguém sabe que fim levou a tal edição da Penthouse Brasil que publicaria as fotos da nudez crua e pra lá de madura de Dercy Gonçalves, que havia topado posar para a revista aos 94 anos de idade?
10.1.03 Perdoem-me, leitores incautos. Mal começa o ano de 2003, e já enfio-lhes retinas abaixo um flashback, dedicado aos novos visitantes que provavelmente não terão a pachorra de vasculhar os arquivos deste blog. Dos posts que escrevo desde agosto de 2002, este foi o meu predileto.
Tartamudeio
Penso em ruivas xipófagas, em guitarras queimando como incensos, em Humphrey Bogart mascando chicletes, no céu iridescente e nos desejos que eu e você sussurávamos um para o outro quando víamos estrelas cadentes relampagueando a noite de um outubro perdido, quando éramos dois adolescentes cercados de espinhas e dúvidas existenciais por todos os lados, receosos do mundo, mas repletos de impulsos juvenis.
Penso em Thelonius Monk morando em uma casa de Lego, em metáforas despojadas e versos sobre abóboras flutuantes, em Cheech e Chong cantando sem sucesso as garotas de um videokê, e que depois da torrente de nãos recebidos terminavam a noite masturbando-se um ao outro. Penso nas gargalhadas gostosas que demos imaginando a cena, na sua risada crepitante que alimentava o fogo das estrelas, em você sentada de cócoras acendendo um cigarro atrás do outro, enquanto eu via a fumaça subir ao céu desenhando efígies de presidentes cassados e trompetistas mortos.
Penso em avestruzes enterrando suas cabeças no deserto australiano, no destino dos siriris depois que perdem as asas, na fúria dos meteoros e no medo de viver. Penso em tonéis de azeite, nos afluentes do Amazonas, na catadupa de idéias desconexas que vêm como uma enxurrada, rompendo os diques da clareza num mar de interrogações. Penso no uniforme do Coringa, na maleta xadrez do Gato Félix, no Linus esperando a noite inteira pela Grande Abóbora como se fosse Godot, nos robôs de Isaac Babel, nos filmes inacabados de Orson Welles. Penso em filmes iugoslavos com legendas em sânscrito, e em nós dois socando pregos.
Penso na raiz cúbica de 270773, no significado da expressão "klaatu barada niktu", na escalação do Guarani em 1978, na cabeça de Robespierre depois da decapitação, no brilho dos olhos de James Joyce ao encontrar a calcinha suja de Nora. Penso em amoras amassadas, em vinicultores chupando uvas e deixando-as secar ao sol, para vendê-las depois como passas. Penso no último mergulho de Jeff Buckley, em Thelma e Louise dando-se as mãos antes de voar para o nada, na cadela Laika latindo para a surdez das estrelas.
Penso no medo que tenho de dançarinos irlandeses e contorcionistas de circo, em quadrinhos velhos de Carl Barks, em melodias tonitruantes, no silêncio de John Cage. Penso em você pedindo provas de amor, na risada que dei ao ler que um homem foi flagrado trepando com um frango congelado, em minhas tergiversações dispersas, em seus olhos dardejando indiferença, em Ian Curtis pendurado pela corda que o enforcou, na etiqueta presa ao dedão de Marilyn Monroe no necrotério de Los Angeles, em carpideiras sorridentes e nas piadas bestas que sempre extraíam um sorriso do seu rosto, mas que já não tinham o mesmo efeito.
Penso em Pasárgada, em Hiroshima, em Yoknapatawpha, em Cracatoa, em Atlântida, em Patópolis, em São Paulo. Penso no encontro de Kublai Khan com Marco Pólo. Penso em olhos de ímã e versos que rimam. Recordo você: tudo penso, e nada falo.
(publicado originalmente em 26 de outubro de 2002.)
Uma de minhas resoluções no final de 2002 tinha sido esta: "postar diariamente no blog". Como toda resolução de ano novo que se preze, mal nasceu e já foi desrespeitada. Regimes abandonados, porres homéricos, traições mais ou menos discretas e projetos inacabados não me deixam mentir. Mas enfim, o importante é o que importa. E, antes de voltar a dar meus pitacos virtuais, gostaria de agradecer a todos que deixaram comentários neste empoeirado site. Preciso, ainda, citar os seguintes fatos:
- Enfim, após inúmeras cobranças, meu amigo Ian Black drinked shame in the face (tecla SAP: tomou vergonha na cara) e reativou sua webzine Enloucrescendo. Sou um dos colaboradores, ao lado de um monte de gente bacana (adoro esse adjetivo). De quebra, Mr. Black colocou botou finalmente o seu blog pessoal no ar. Recomendo fortemente uma visita a ambas as páginas.
- Last, but not least. Pensar Enlouquece é um dos 10 finalistas da categoria iBest Blog de 2003. Agradeço a todos que votaram em mim, e que me ajudaram a chegar lá. Mas agora, como diria Vicente Matheus, "quem está na chuva é pra se queimar". Preciso agora do seu voto para chegar até o TOP 3: basta clicar neste link aqui. É pouco provável a minha vitória, diante de concorrentes como Cora Rónai, Rosana Hermann, Edney Souza, Danilo Amaral, Paula Foschia e Nelito Fernandes e as mocinhas do Homem é Tudo Palhaço. Mas agora que já que cheguei tão longe...