31.12.02 Santa da Janela. Não é brinquedo não. Corralito na Argentina. O celular de Fernandinho Beira-Mar. Baba baby baba. Mala de R$ 1,34 milhão na Lunus. Matou a família e foi ao motel. O decote de Deborah Secco. As mães de Pedrinho. Cerco à Igreja de Natividade. 100% Jardim Irene. Diego e Robinho. O assassinato de Celso Daniel. Eu tenho medo, muito medo. Eva, o primeiro clone? Thyrso e Manoela. Blame it on Lisa. Lula, você vai manter a Cide? Palmeiras na segunda divisão. Cada mergulho é um flash. Robert Scheidt hexacampeão mundial. Atentados em Bali e Mombasa. O ano do euro. Gisele: fur scum. Os lábios de Daniela Cicarelli. O cabelo de Ronaldo Cascão. Free Winona. A voz do Gato Mestre. O pretzel de Bush Júnior. Concordata da World Com. Dadinho o caralho, meu nome é Zé Pequeno! Dólar a quatro reais?! Rubinho abre alas para o alemão. Palmas no JN para Tim Lopes. Paulo Coelho na ABL. Blogger Brasil. Esse eu agarântio! Duda Mendonça. O avião da TAM matou a vaca. Chipkevitch gosta de criancinhas. Gretchen apanhou do noivo. Morreu um Clash. Free Olivetto. Canonização da Madre Paulina. Além do Céu Cinzento invade a rádio. Roberto Carlos canta rap. Britney Spears não é mais virgem. Maldito Risco Brasil. 1 milhão e meio de votos para Enéas Carneiro. Se eu fosse você, procurava um médico. Asehere ra de re. How you remind me? Michael Jackson balança bebê na janela. Chechênios invadem teatro russo. Carandiru foi implodido. Meu filho se chama Mano Wladimir. A volta de Herbert Vianna. Morreu um Ramone. A cabeça raspada de Patricia Pillar. Rosinha Garotinho, programa de índio. Free Belo. Lágrimas de Kléber Bambam. Oscar politicamente correto. Cadê Osama? Saudades do Audiogalaxy. Pelé esqueceu de dar a bandeirada. Já sei namorar. The Eminem Show. Fátima Bernardes musa da Copa. William Bonner para Presidente. Os dentes quebrados de Reynaldo Gianecchini. A bala que acertou o jabuti. O franco-atirador de Washington. Serra & Rita. The Osbournes. Pepsi Twist. Calouros do Raul Gil. No more Free Jazz. Os pelados de Spencer Tunick.
Xô, 2002!
E que venha 2003. Um Feliz Ano Todo para cada um de nós. Até lá.
- Qual foi o destino dado ao casal formado por Salvatore e Elena (vide foto à esquerda), na versão remontada de Cinema Paradiso, que, ao que me consta, jamais foi lançada comercialmente no Brasil?
- Existe alguma balada pop com arranjo de cordas tão matador quanto o de "Fear and Love", do Morcheeba?
- Afinal de contas, o que há de engraçado no Seu Creysson?
- Por que Steven Spielberg insiste em estragar obras-primas em potencial inserindo cenas melosas, risíveis e desnecessariamente explicativas? Vide a seqüência em que Oskar Schindler se despede dos judeus lamentando-se: "oh, por que eu não vendi esse relógio? E por que eu não me desvencilhei deste carro? Quantos mais eu poderia ter salvo, snif, snif". Ou o final-família de Minority Report, que ia bem até a redenção do mocinho? Ou a emenda do soneto quase perfeito de A.I., no "segundo final" que se passa após a seqüencia submarina com o robô interpretado por Haley Joel Osment? Por Tutatis, quanto desperdício de talento.
- Que espécie de aura se formou em torno do prefixo "Ro", que faz com que tantos jogadores bons de futebol a carreguem em seus nomes de guerra? Dá até para formar uma seleção, de primeiríssima qualidade, formada quase que exclusivamente por craques que já vestiram a camisa da Seleção Brasileira (há apenas uma exceção: o atacante do Santos). Confiram: Rogério Ceni; Rogério, Roque Júnior, Roger e Roberto Carlos; Rochemback, Robert, Rodrigo Fabri e Ronaldinho Gaúcho; Robinho e Ronaldo.
Nelito Fernandes, do blog Eu Hein!, tirou as palavras de meu pensamento ao escrever a seguinte reflexão: "só existem duas coisas certas no Natal: seu décimo terceiro não vai dar e você vai receber toneladas de e-mails de 'Feliz Natal'. Pior: eles virão de gente que você nem conhece. Daquele cara da contabilidade. Da mulher da recepção. Daquele sujeito que você mandou um e-mail no início do ano e, sabe-se por que cargas d'água, resolveu te colocar na mailing list dele. Então alguém na sua empresa vai mandar um e-mail reclamando das mensagens de Natal e todo mundo vai responder. Para acalmar os ânimos, um membro da diretoria vai enviar um e-mail falando sobre normas para o bom uso do e-mail".
Pois é. Eu não vejo muita graça no Natal, a efeméride. Pessoas atravancando as ruas com suas sacolas de compras, reprises na TV de infindáveis filmes adaptando o Conto de Natal de Charles Dickens, cumprimentos de gente que mal se importa com você, ou falando em fraternidade e solidariedade em um único e solitário dia do ano. Gostaria de reencontrar minhas crenças no tal Espírito Natalino, que acabou sendo relegado ao fundo do fundo do fundo do saco de um Papai Noel hipotético no qual jamais acreditei de verdade. Mas é difícil ressuscitar crenças enterradas, ainda mais sendo soterrado por propagandas que incitam ao consumismo estéril.
O fato é que o Natal se tornou uma comemoração desenraizada das suas origens. A maioria das pessoas sabe apenas en passant que a data surgiu por causa do nascimento de Jesus Cristo. Que, provavelmente, sequer nasceu em 25 de dezembro. E se alguém vier me dizer que esta é uma época mágica em que a bondade brota dos corações humanos, depois de testemunhar in loco 364 dias de esmolas recusadas e vidros fechados nas esquinas das metrópoles, provavelmente serei obrigado a refrear meu sorriso irônico.
Sinto falta dos tempos em que eu via na TVS (atual SBT) o desenho da Rena do Nariz Vermelho, e via o Natal com olhos mais ingênuos e generosos. Mas enfim, nostalgias estéreis não cicatrizam ilusões que feneceram. A vida, a despeito das provas em contrário, é assombrosamente boa, e alimenta-se do aqui e do agora. Oras, não vale a pena dar presentes às pessoas que amamos? Ou telefonar para um amigo com quem não converso há meses, aproveitando o pretexto da data pra entabular conversas que fluem como se nós não tivéssemos seguido rumos tão diferentes na vida? Ou perceber como é legal reencontrar parentes e trocar idéias, por exemplo, com minha prima de sete anos, tentando explicar a ela as coisas malucas da contemporaneidade, como descrever como conheci minha namorada (serei sempre seu pára-quedas reserva, mocinha) pela Internet?
Toda vez que me meto a escrever sobre o Natal, não resisto a fazer uma citação extraída de um dos meus seriados prediletos, "Anos Incríveis". Imaginem a voz de Kevin Arnold em off:
"Naquele ano o Natal deixou de significar para mim enfeites e presentes, e começou a significar recordações. No começo fiquei um pouco desapontado, mas aprendi que a memória é uma maneira de reter as coisas que amamos, as coisas que somos, as coisas que não queremos perder nunca. E o que aprendi com Winnie foi que, num mundo que muda tão depressa, o melhor que podemos fazer é desejar aos outros um Feliz Natal. E muita sorte".
Datas são apenas convenções. Por isso, pouco importa se haverá peru ou pedaços requentados de pizza na ceia, nota fiscal na mão para trocar um presente que não agradou, luzes chinesas enfeitando a fachada do prédio, panetones amanhecidos no café da manhã do dia seguinte. Desejo apenas isso: muita sorte, esperança e generosidade para cada um de nós. Seja hoje, seja sempre.
... mas, pelamordedeus, a versão horrenda que a Simone gravou de "Happy Xmas (War is Over)", de John Lennon, não será minha trilha sonora nesta época do ano. Canção muito melhor é "Boas Festas", composta por Assis Valente:
Anoiteceu, o sino gemeu
A gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Vem assim, felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então Felicidade
É brinquedo que não tem
O leitor atento percebeu que a letra, apesar de bonita, é lúgubre e dociamarga até não poder mais. Não admira que Assis Valente, compositor de outros clássicos da MPB como "... E o Mundo não se Acabou" e "Camisa Listrada", tenha se matado ao ingerir guaraná com formicida (fim do ano é uma época deveras melancólica).
Mas o Natal tupiniquim possui outros hinos não-oficiais mais edificantes. Por exemplo, o inesquecível jingle da Varig, composto pelo publicitário Caetano Zama:
Estrela das Américas no céu azul
Iluminando de Norte a Sul
Mensagem de amor e paz
Nasceu Jesus, chegou o Natal
Papai Noel voando a jato pelo céu
Trazendo um Natal de felicidade
E um Ano Novo cheio de prosperidade
Ok, a Varig é uma empresa aérea quase falida, aparentemente prestes a seguir o mesmo caminho da finada Panair. Mas certos jingles possuem a capacidade de ficarem na memória afetiva, perdurando mais que a própria empresa que os encomendou. Um exemplo? "Quero Ver Você Não Chorar", criado para o comercial de Natal do Banco Nacional (dirigido por Lula Vieira), de autoria de Edson Borges de Aguiar, vulgo Passarinho, grande parceiro de Dolores Duran. Originalmente uma canção composta para o grupo "Os Titulares do Ritmo", Passarinho fez umas adaptações na letra, que acabou se tornando o jingle popularmente conhecido como o "Melô do Sexo Anal". Ah, esse pessoal leva tudo por trás...
Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz
Quero ver
o amor vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir
Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer
Que o Natal existe
que ninguém é triste
que no mundo há sempre amor
Bom Natal, um Feliz Natal
muito amor e paz pra você
pra VOCÊ...
Desgraçadamente este jingle ganhou nova versão interpretada por Zezé di Camargo & Luciano, e hoje embala os infames comerciais natalinos das Lojas Marabrás. Como diria Kléber Bambam, "faz parte". Enfim. Falando em assuntos globais, outra trilha sonora inevitável de fim de ano é "Um Novo Tempo". Canção composta pelo trio Marcos Valle, Nélson Motta e Paulo Sérgio Valle, embala as mensagens de ano da Rede Globo desde 1971:
Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou
Nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer
Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou
Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa
É de quem quiser, quem vier
As versões originais desses clássicos da propaganda podem ser conferidas no site do programa de Lula Vieira, veiculado na rádio CBN:
Há tempos não publico um poema meu por aqui. Portanto...
O Código Secreto das Estrelas
Leio nas entrelinhas do teu sorriso
rumores, canções que falam em pássaros.
Teus passos soletram pelas calçadas
sussurros de sombras por entre pétalas secas.
Teu amor, miríade de galáxias sem sintaxe,
hoje tateia as lágrimas que não escorreram
enquanto o tempo traça no vidro da memória
confusas lembranças que mordem ferozes.
Falo de sonhos como quem tange nuvens,
e releio tardes de primaveras sangrentas
em que teu calor se espalhava feito pólen,
decifrando o código secreto das estrelas.
Hoje sei que tudo passa, embora eu ainda durma
com memórias teimosas e perfumes apócrifos.
Recordo com gosto doce de espelhos na boca
tua pele, teu sexo, teu cheiro, teu sol.
O tempo é turvo. O tempo é turvo.
Mastiga utopias, cospe sementes de névoa,
esparge fagulhas de luz no passado
- brinquedo mimado nas mãos do acaso.
Mas não quero mais ser racional.
Deitado dentro de mim, hoje evoco
o momento único em que te encontrei,
Este blog não costuma publicar fotos salientes (e calientes) de mocinhas incautas. Contudo, desta vez fui obrigado a abrir uma exceção, para atender a uma justíssima queixa do leitor Marcelo V., que nos comentários do post anterior escreveu o seguinte:
"Esse negócio de citar mulher gostosa (ou, ipsis litteris, gostooooosa) e não colocar pelo menos um link para uma foto da dita cuja em seu esplendor me dá nos nervos. Quem diabos é Patricia Silveira?"
Mr. Valetta, a mulher em questão estrelou os comerciais da cerveja Antarctica. Mas, como o clichê de que uma imagem vale por mil palavras é verdadeiro, eis a foto da mocinha em todo o seu esplendor:
Espero que o imbróglio tenha sido resolvido de modo satisfatório. :)
A reunião dos Tribalistas, junto com a derrota retumbante de Paulo Maluf e o comercial de cerveja com a gostoooosa da Patricia Silveira, foi um dos melhores acontecimentos de 2002. Não por causa dos méritos musicais, e sim por ter inspirado coisas bacanas como a charge acima (criada por Arnaldo Allemand Branco, do excelente blog Mau Humor) e o notório Gerador de Letras do Mundo Perfeito.
Melhor que isso, só as piadas que apareceram relacionando Camilly Victória e Mano Wladimir. A propósito, uma informação relevante para este post: os filhos de Pepeu Gomes com Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo) se chamam Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Pedro Baby, Krishna Baby e Kriptus Rá. Sarah Sheeva, aliás, não é o nome original da moçoila: ela se chamava Riroca. É por essas e outras que agradeço a sorte de ter os pais que tenho. Fosse eu filho de poeta concretista com cantora multimídia, poderia ter sido batizado Zazueira Zambeletê Abaporoo Nhecnhé Inagaki.
O que se passa na cabeça de uma pessoa que monta um mailing list compilando e-mails de blogueiros, e depois divulga sua página encaminhando a mesma mensagem padronizada para todo mundo? No caso, esta:
"Visitei o seu site e gostei muito.
Também tenho um site que é muito legal.
Dá uma olhada: http://www.luizhenrique.com - Acidez Mental e Estomacal
Vamos trocar links?
Um forte abraço
L.H.C."
Não costumo perder tempo com esse tipo de spam: ignorei a tal mensagem. Mas eis que, visitando o Epinion, não é que descubro que o tal L.H.C. é especialista em chupinhar os posts dos outros? E tome copy-and-paste de textos e imagens dos blogs da Daniela Abade, Nelito Fernandes, Adailton Persegonha, Giovanna Cantarelli e... Alexandre Inagaki. Sim, o tal L.H.C. teve a pachorra de plagiar um post publicado por mim no dia 27 de novembro. Nem disfarçou o plágio: usou a mesma ilustração que eu, republicando meu texto sem qualquer crédito no dia 04 de dezembro.
Eis o modus operandi do plagiador: ele republica textos a torto e a direito, recebe indevidamente os méritos e só credita os posts depois que o verdadeiro autor reclama da picaretagem. Pior: além de pusilânime, é covarde. Prova inconteste é a edição que L.H.C. fez em um comentário que a Rossana Fischer escreveu sobre o post "Ligadura de Trompas", de 19 de dezembro, chupinhado ipsis litteris do Mundo Perfeito. Sintam a canalhice da figura:
"esse texto não foi você quem escreveu... tá no mundo perfeito...
colou aqui e nào deu crédito...
Das Estranhas Relações Entre Literatura e Barracas de Camelô
Um dos problemas de se publicar textos na Web está na facilidade com que pessoas dão copy-and-paste neles a torto e a direito, muitas vezes apropriando-se da paternidade de filhos que foram paridos à base de muitas elucubrações e rascunhos. Se é má fé ou lapso do responsável pelos forwards, não há muita diferença: o estrago é o mesmo e custa a ser reparado.
De qualquer modo, o "fenômeno" é antigo, e a Internet apenas ampliou o alcance dessas falsas autorias de textos. O exemplo mais conhecido é o poema de Nadine Stair Instantes ("Se eu pudesse viver novamente a minha vida/ Na próxima trataria de cometer mais erros"), que é insistentemente atribuído a Jorge Luis Borges. O imbróglio chegou a tal ponto que obrigou a viúva de Borges, Maria Kodama, a manifestar-se oficialmente na Justiça, alertando que os direitos autorais dos versos pertenciam a Stair, que compôs tais versos aos 85 anos de idade (à beira da morte, como o próprio poema sugere).
Outro caso notório é o de No Caminho com Maiakóvski, creditado erroneamente ao próprio Maiakóvski ou a Bertold Brecht, e que na realidade saiu da pena de Eduardo Alves da Costa. Lamentável logro, por dar a César o que não é de César (no caso, os créditos de um poema genuinamente bom).
Episódio tão lamentável quanto é o crédito falso dado a textos repletos de chavões e/ou erros de português. Arnaldo Jabor é uma das vítimas mais conhecidas dessa contramão de autorias, como comprova o caso de uma crônica sobre o Big Brother Brasil que anda sendo espalhada por Outlooks e Eudoras alheios, intitulada "Faz Parte!!". Do mesmo modo, quantas vezes não recebi versos supostamente escritos por Clarice Lispector?
Há ainda os casos de escritores amadores que cometem certos textos e propositadamente os atribuem a autores já conhecidos - Luis Fernando Veríssimo é a vítima mais notória desses procedimentos. Como certos fabricantes made in Paraguai, que produzem tênis Mike, pilhas Dubacell e calças Fóbum, distribuindo-os nas melhores barracas de camelô do ramo. José Nêumanne dá como exemplo a história de um certo Undurraga, que misturava versos de Pablo Neruda com editoriais do jornal cubano Granma, e conseguia espaço para publicação em revistas especializadas.
Este mundo, definitivamente, não é para inocentes.
(texto publicado originalmente no blog coletivo Logopéia)
18.12.02 Encontrei esta dica preciosa no Orelhão. Eu ainda não conhecia o FilmWise, site mantido por Brian e Jim, dois estudantes norte-americanos fanáticos por cinema e craques em Photoshop, que criaram a página a partir de uma simples pergunta: "você consegue adivinhar a qual filme pertence esta cena?". A partir daí surgiu um dos mais divertidos sites que já visitei na vida.
Uma das principais seções do FilmWise, Invisibles, desafia cinéfilos a reconhecer um filme sem ver os atores. Confira a seguir dez cenas modificadas por computador, e veja se você sabe os nomes das fitas correspondentes a cada foto (tá fácil...).
O FilmWise é definitivamente um deleite para qualquer cinéfilo. Na seção Text Quizzes, encontrei outros desafios originais e deliciosos. Um deles, "Prelude to a Kiss", transcreve diálogos que precedem a cena de um beijo, e desafia o internauta a dizer a qual filme pertencem. Há um outro, "Words Before Dying", dedicado às últimas frases pronunciadas por personagens que morrem em uma cena. Mas o meu quiz predileto diz respeito àqueles filmes que terminam com legendas que descrevem o que aconteceu depois a cada personagem. Por exemplo, em Clube dos Cafajestes (National Lampoon's Animal House), a genial comédia de John Landis. Quem assistiu a este filme recorda bem suas legendas finais:
"Daniel Simpson Day '63
Whereabouts unknown
Boon and Katy
Married 1964. Divorced 1969.
Senator & Mrs. John Blutarsky
Washington, D.C."
Destino mais edificante foi reservado a Jeff Spicoli, personagem interpretado por Sean Penn em Fast Times at Ridgemont High, conhecido por estas praias como Picardias Estudantis (mais um título imbecil dado pelas distribuidoras brasileiras): "Saved Brooke Shields from drowning. Blows reward money hiring Van Halen to play his Birthday party".
Mas há também as legendas melancólicas. Quem assistiu ao delicioso Loucuras de Verão (American Grafitti), filme nostálgico passado no final dos anos 50, dirigido por George Lucas antes de criar a saga de Star Wars, não pôde evitar uma ponta de tristeza ao descobrir o destino dos seus protagonistas, metáforas do que acontecera ao "sonho americano" após as mortes de John Kennedy e Martin Luther King, o fim do movimento hippie e a ressaca pós-Vietnã:
"John Milner was killed by a drunk driver in December 1964.
Terry Fields was reported missing in action near An Loc in December 1965.
Steve Bolander is an insurance agent in Modesto, California.
Entretanto recebi hoje um pedido razoável, que atendo com prazer. Esta imagem é para você, navegante perdido, que chegou aqui em busca da Zebrinha do Fantástico.
OK, o título de Campeão Brasileiro não poderia estar em melhores pés. Mas seria melhor ainda se os jornalistas evitassem:
a) usar expressões como "futebol moleque" ou "jogaram bola como gente grande" para se referir ao time do Santos;
b) afirmar que Robinho é a "reencarnação de Garrincha", ou que o Diego é o "legítimo sucessor de Pelé". Comparações precipitadas são o que matam. Por enquanto, me limito a dizer que o Robinho é um Denílson aprimorado, com mais objetividade e pontaria;
c) citar a vitória do Santos em cima do Corinthians como "a consagração do futebol-arte sobre o futebol de resultados". Jornalistas esportivos são desmemoriados mesmo: bastou uma perda de título para que eles se esquecessem que Carlos Alberto Parreira armou um esquema com três atacantes, tendo sido o grande responsável pela conquista, com sobra de méritos, da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo no primeiro semestre de 2002;
d) insistir em creditar à equipe praiana o resgate do tal do futebol-arte supostamente enterrado com a perda da Copa de 1982. Oras, ao que me lembre outros grandes times como o São Paulo bicampeão mundial de clubes em 1992 e 1993 e o Palmeiras do ataque de 100 gols no Campeonato Paulista de 1996 já haviam provado que o futebol ofensivo e bonito de se ver nunca deixou de ser praticado em gramados tupiniquins.
Para finalizar: será que alguém poderia calar a boca do Galvão Bueno toda vez que ele criticar com tanta veemência um Campeonato Brasileiro a ser disputado por pontos corridos, com turno e returno (como nos melhores certames europeus)? Por acaso alguém delegou a esse locutor o direito de ser o meu porta-voz, ou o André Singer da torcida brasileira, para impor as opiniões da Globo Esportes a qualquer incauto que seja?
Todo dia 13 será assim: você vai até o site, baixa o arquivo e, se quiser, imprime. Uma revista online descontraída e aberta a colaborações, capitaneada por José Kazi e Camila Kintzel. Todas as edições serão temáticas; o mote do primeiro repente foi cu. Eu estou lá, na companhia de gente fina, elegante e sincera como José Bessa, Jean Boëchat, Denis Klein e Marcatti.
Maravalha geni(t)al, diriam alguns concretistas. O Mundo Perfeito acaba de disponibilizar em sua página o fabuloso Gerador de Letras Tribalistas. Hey, agora sim minha carreira de compositor pop-cabeça vai engrenar! Confiram abaixo a letra que criei com a ajuda do Mundo Perfeito:
Todo mundo no mundo
Faço sexo no subgênero soporífero
Divino peido
Ninguém é de todo mundo no mundo
(bis)
Seja em Pindamonhagaba, São Petersburgo
Vamos fornicar, vamos locupletar
Lagarta lasciva link me
Vamos fornicar, vamos locupletar
Amor de tataravô, desmundo!
Girou a Terra, a terra de Sayoko
Vamos fornicar, vamos locupletar
Boneco baba-ovo, na bola
13.12.02 Eu, particularmente, não me incomodaria em passar debaixo de uma escada, pisando sobre cacos de espelhos quebrados por mim e aninhando em meus braços um gato preto na manhã de uma sexta-feira 13. Mas o fato é que há muitos supersticiosos neste mundo, a ponto de ter sido criado um termo específico para definir a fobia que alguns têm pelo número 13 ou por sextas-feiras 13: triscaidecafobia.
Segundo o excelente site Dictionary.com, triscaidecafobia é um termo que surgiu pela primeira vez em 1911, formado a partir da junção dos termos gregos triskaideka (treze) e phobos (medo). Creiam: Napoleão Bonaparte, Mark Twain, Richard Wagner e Franklin Roosevelt seriam alguns dos mais famosos "triscaidecafóbicos". Wagner, por sinal, teve quase tantas relações com o número 13 em sua vida quanto o nosso técnico Zagallo: afinal, o compositor alemão nasceu em 1813, compôs treze óperas, finalizou "Tanhauser" em 13 de abril de 1860 e morreu em 13 de fevereiro de 1883.
Segundo os "estudiosos" do assunto, a explicação para as crendices sobre a data está no fato de que Jesus Cristo foi crucificado numa sexta-feira, sendo que em sua última ceia, havia treze pessoas à sua mesa. Há outra explicação: segundo uma lenda nórdica, houve um banquete e doze deuses foram convidados. Loki, espírito da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que culminou na morte de Balder, o favorito dos deuses. Daí veio a crença de que convidar treze pessoas para um jantar é desgraça na certa.
Você acredita nessas coisas? Então lá vai uma dica: no jogo do bicho, aposte em borboleta (número 13) na cabeça. Depois a gente vê como vai rachar os lucros. :)
(em tempo: quer ver uma campanha quase tão bizarra quanto o medo de sextas-feiras 13? Então visite o Pirão Sem Dono e confira a campanha tropicalista criada pela Thya Vhannya. Tem cada uma que parece duas...)
11.12.02 Segundo o imprescindível Guia dos Curiosos, hoje, 11 de dezembro, é o Dia do Engenheiro (parabéns, seu Shiguehiko!), do Arquiteto, do Agrimensor, do Evangelho (?), da Infantaria da Aeronáutica e do Tango. Contudo, para este blog, 11 de dezembro é o Dia da Publicação de Posts Sobre Cinema (cada um com suas sandices).
Por favor, desliguem seus pagers e celulares, evitem jogar embalagens de M&Ms no chão e pipocas no decote da peituda ao lado, que a sessão já vai começar. Bom divertimento. :)
... cotação "5 lenços", que me obrigou a ficar até o final dos créditos enxugando lágrimas: Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore (1989).
... para ser visto e revisto até que cada diálogo seja decorado: A Malvada (All About Eve), de Joseph L. Manckiewicz (1950).
... para rir até as bochechas ficarem com cãibra: Um Convidado Bem Trapalhão (The Party), de Blake Edwards (1968).
... que compensou cada centavo do ingresso, a ponto de eu ter sido obrigado a revê-lo na tela grande: O Marido da Cabeleireira (Le Mari de la Coiffeuse), de Patrice Leconte (1990).
... que me fez desejar ser cineasta quando crescesse: Os Sete Samurais (Shichinin No Samurai), de Akira Kurosawa (1954).
... cujo personagem principal tem a vida que eu gostaria de ter: Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off), de John Hughes (1986).
... que me deixou encolhido na poltrona, aguardando pelo próximo susto que ia levar: O Sexto Sentido (The Sixth Sense), de M. Night Shyamalan (1999).
... ótimo, mas com título em português simplesmente vexaminoso: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall), de Woody Allen (1977).
... que deveria ser exibido em cadeia nacional de televisão: Terra em Transe, de Gláuber Rocha (1967).
... cuja trilha sonora marcou minha vida: Houve uma Vez um Verão (Summer of 42), de Robert Mulligan (1971), com música de Michel Legrand.
... detestado pela crítica, mas eu gostei: As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County), de Clint Eastwood (1995).
... louvado pela crítica, mas eu detestei: Je Vous Salue, Marie, de Jean-Luc Godard (1985).
... brilhante, mas chato: 2001, uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey), de Stanley Kubrick (1968).
... brilhante e nem um pouco chato: O Sétimo Selo (Det Sjunde inseglet), de Ingmar Bergman (1957).
... ambicioso, mas chato, modorrento, opaco e ruim pra dedéu: Kafka, de Steven Soderbergh (1991).
... que conseguiu ser tão bom quanto o livro: A Insustentável Leveza do Ser (The Unbearable Lightness of Being), de Philip Kaufman (1988), adaptação do romance de Milan Kundera.
... para ser apreciado ao lado de uma boa companhia feminina: Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes del Círculo Polar), de Julio Medem (1998).
... perfeito para uma "Sessão da Tarde": A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka & the Chocolate Factory), de Mel Stuart (1971).
... cuja atriz principal me fez sair inapelavelmente apaixonado da sala de cinema: A Noite (La Notte), de Michelangelo Antonioni (1960).
... que justifica plenamente sua duração de mais de três horas: Doutor Jivago (Doctor Zhivago), de David Lean (1965, 197 minutos).
... que me fez dormir no meio da sessão: O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas), de Henry Selick (1993).
... inexplicavelmente sem cópias para exibição no Brasil: A Palavra (Ordet), de Carl Theodor Dreyer (1955), sem dúvida nenhuma o melhor filme que já vi em toda a minha vida.
Lá no inferno, onde todos comem pudim de jiló e ouvem pagode, Louis Cypher convida todos os cinéfilos pecadores a expiarem suas penas em seu mais novo empreendimento: "Hellmark". Confira a programação, sala por sala:
Sala 1: Loucademia de Polícia - "A Saga".
Sala 2: 24 horas com o melhor de Sylvester Stallone. Destaques da semana: Pare, Senão Mamãe Atira, Falcão - O Campeão dos Campeões e Oscar - Minha Filha Quer Casar.
Sala 3: O Melhor de Tela Quente & Cinema em Casa: A Gang dos Dobermans, A Primeira Transa de um Nerd, Alligator, Férias do Barulho, Última Festa de Solteiro, O Homem-Cobra, A Melhor Casa Suspeita do Texas e O Último Americano Virgem.
Sala 4: Showgirls (director's cut).
Sala 5: Godzilla.
Sala 6: Festival Neville de Almeida. Cartaz de hoje: Os Sete Gatinhos.
Sala 7: Todos os filmes da série Pantera Cor-de-Rosa lançados depois da morte de Peter Sellers, mais O Filho da Pantera Cor-de-Rosa.
Sala 8: Dose dupla de Madonna com Antônio Banderas: Evita e Grande Hotel.
Sala 9: Ciclo Mulheres no Cinema - apresentações ininterruptas com a filmografia completa de Bo Derek, Brooke Shields e Pia Zadora.
Sala 10: Títulos Imbecis, Filmes Idem. Atrações da semana: Geladeira Diabólica, O Incrível Homem que Derreteu, Quem Não Herda Fica na Mesma, O Dentista - Meu Prazer é a Sua Dor e Nuts - Nasceu Burro, Não Aprendeu Nada e Ainda Esqueceu a Metade.
Sala 11: Arquivo X - O Filme.
Sala 12: Encaixotando Helena.
Sala 13: A Arte de Christopher Lambert. Cartaz de hoje: Adrenalina.
Sala 14: Festival Grandes Duplas - destaques da semana:
- Jean Claude Van Damme e Dennis Rodman - A Colônia - Sylvester Stallone e Kurt Russell - Tango & Cash - Demi Moore e Burt Reynolds - Striptease - Melanie Griffith e Don Johnson - Paraíso - Leonardo Di Caprio e... Leonardo Di Caprio - O Homem da Máscara de Ferro
Sala 15: O Pestinha (trilogia exibida 24 horas por dia, ad eternum).
Sala 16: Barb Wire - sessão especial seguida de workshop com a atriz (sic) Pamela Anderson discorrendo sobre o tema "A Importância Dramática do Silicone no Cinema Pós-Moderno".
Sala 17: Ciclo especial "A Arte da Interpretação". Toda semana palestras com atores comentando suas mais brilhantes performances.
Convidados da semana:
- Dolph Lundgren - Homem de Guerra - Rob Lowe - A Farsa - Sean Young - Um Beijo Antes de Morrer - Supla - Uma Escola Atrapalhada - Keanu Reeves - Johnny Mnemonic - Jon Voight - Anaconda - Vince Vaughn - Psicose (1998)
Sala 18: Sala Especial - os filmes que queimaram o filme do cinema brasileiro. Destaques do mês: Lua-de-Mel e Amendoim, O Bem-Dotado - O Homem de Itu, Superfêmea e Os Bons Tempos Voltaram - Vamos Gozar Novamente.
Sala 19: The Best of Chuck Norris: Braddock I, II e III.
Sala 20: Cine Cabeça: Interiores, Sob o Sol de Satã, Um Olhar a Cada Dia, todos os filmes de Júlio Bressane e Andrei Tarkóvski, e qualquer representante francês selecionado para o Festival de Cannes. Sessões especiais dubladas em mandarim com legendas em esperanto.
Sala 21: Atores que Dirigem ou Desgraça Pouca é Bobagem. Atrações da semana: O Mensageiro (Kevin Costner), Rocky IV (Sylvester Stallone) e Em Terreno Selvagem (Steven Seagal).
Sala 22: Ishtar.
Sala 23: Cantores no Cinema - as interpretações mais desafinadas de todos os tempos.
Destaques da semana:
SEG: Mande Lembranças a Broad Street - Paul McCartney
TER: Salsa, o Filme - Robby Rosa
QUA: O Mundo das Spice Girls QUI: Cool as Ice - Vanilla Ice
SEX: Duna - Sting
SÁB: Surpresa em Shanghai - Madonna
DOM: Orfeu - Toni Garrido
Obs.: Todos os dias teremos matinês com Cinderela Bahiana de Carla Perez. Programe sessões especiais para grupos "iscolares"!!!
Sala 24: Continuações I: Super-Homem IV - Em Busca da Paz, A Jóia do Nilo, Velocidade Máxima II, Psicose II e III, De Volta à Lagoa Azul, Três Solteirões e uma Pequena Dama, Highlander II - A Ressureição.
Sala 25: Continuações II - O Pesadelo Continua: Tubarão 3-D, Os Embalos de Sábado à Noite Continuam, Águia de Aço II e III, Tão Longe, Tão Perto, Meu Primeiro Amor - Parte II (aliás, não deveria se chamar Meu Segundo Amor?).
Sala 26: Continuações III - O Inferno é Fogo: A Mosca II, Ace Ventura II - Uma Aventura na África, Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, todos os Sextas-Feiras 13 e Horas do Pesadelo, Free Willy II, Querida, Estiquei o Bebê, Jurassic Park - O Mundo Perdido.
Sala 27: Festival Mickey Rourke. Atração de hoje: Orquídea Selvagem. Não percam grande promoção: concorra a uma operação plástica com o mesmo cirurgião do ator!!!
Sala 28: Sessão da Tarde Especial - "O Castigo dos Pestinhas": Super Mario Bros, Street Fighter, He-Man - Mestres do Universo, Transformers - O Filme, Super Xuxa Contra o Baixo Astral, Mallandro e o Inspetor Faustão, Pocahontas, Tom & Jerry - O Filme, Annie, Lua de Cristal.
TOP 5 MÚSICAS DA TRILHA SONORA DE MINHA HIPOTÉTICA CINEBIOGRAFIA:
. Para a seqüência de abertura, na qual uma steadycam acompanha Antônio Daniel (o nome de meu alter ego no filme) aos 15 anos de idade, correndo com lágrimas dos olhos, depois da primeira desilusão amorosa: Running Scared (Roy Orbison).
. Para a polêmica e explícita cena de ménage à trois entre eu, Charlize Theron e Daniela Cicarelli: Closer (Nine Inch Nails).
. Para a seqüência do sonho, no qual uma multidão enlouquecida de fãs cerca minha limusine, me retira do carro e começa a me devorar vivo (com closes nas bocas ensangüentadas de groupies deliciando-se com o gosto doce de minha carne crua): Drive (R.E.M.).
. Para a seqüência do beijo, um travelling ao redor dos dois atores (eu e Nicole Kidman), profundamente envoltos um no outro, como se nossas línguas estivessem resgatando no céu da boca do outro o sentido de um mundo caótico: Todo o Sentimento (Chico Buarque).
. Para os créditos finais, uma câmera exibindo imagens aéreas da paisagem noturna de São Paulo: Tides of the Moon (Mercury Rev).
- É cumpadi Emilio di Fraia quem manda avisar: o site do GIVAGO, revista eletrônica de ficção, foi reformulado e está estalando de novo, desta vez com a presença de galera do mais fino trato recém-cooptada pela trupe groselhiana: Daniel Bueno, Ronaldo Bressane e Frederico Barbosa.
- Meg, a mais querida de todas, como sempre me passou preciosíssima dica de novo blog na praça: o Letteri Café, capitaneado por Alberto Lyra, a.k.a. Aly. Visita recomendadíssima.
- A Revisita da MPB, impecável blog coletivo dedicado à Música Popular Brasileira, atende agora em nova URL: http://revisitampb.festim.net.
- E a bloglândia prossegue cooptando nomes de respeito. Dois exemplos recentes: eraOdito, do escritor pernambucano Marcelino Freire, e Assim Falava Prepúcio, do jornalista, poeta e músico Rodrigo de Souza Leão, também responsável por um dos melhores projetos literários na Net, o Balacobaco.
A frase da semana foi cunhada por Latino, cantor funk-brega e ex-marido de Kelly Key, a próxima capa da Playboy, na matéria "Bate, baby, bate", publicada em O Globo:
- Para ser traído, basta ter mulher. Pior que a traição é a ingratidão.
Em tempo: Latino não perde uma oportunidade de ir à mídia para se queixar da ex-mulher, principalmente agora que está na fase de divulgação de seu novo CD, que "coincidentemente" foi recém-lançado na praça.
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O filão mais rentável dentro do segmento de livros de auto-ajuda atualmente é formado pelos manuais voltados para a educação dos filhos. Pudera: depois dos casos da família Richthofen e do estudante de direito que matou a avó, que pai não estaria encasquetado com sua própria prole? Içami Tiba, psiquiatra que foi entrevistado por 10 entre 10 telejornais quando da prisão de Suzane von Richthofen, é o Paulo Coelho deste subgênero literário, com obras como "Disciplina, Limite na Medida Certa", "Saiba Mais sobre Maconha e Jovens" e "Quem Ama, Educa!". Ter filhos neste mundo louco é uma responsabilidade e tanto, e é um tanto quanto ingênuo acreditar que livros de auto-ajuda sirvam como Bíblias capazes de mostrar os caminhos para a transformação de pirralhos em criaturas decentes. Mas enfim, creio que muito sofrimento seria evitado se certas pessoas tivessem seguido o pensamento de Brás Cubas: "não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria".
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A edição deste mês da Superinteressante (que, diga-se de passagem, é uma das poucas revistas que compensam plenamente sua assinatura) traz uma entrevista com Geoffrey Miller, autor do livro "A Mente Seletiva", em que defende a tese de que a cultura humana surgiu, basicamente, da nossa necessidade de atrair parceiros sexuais. Sim, é isso mesmo: partindo do princípio de que a reprodução é o instinto básico de todos os seres, Miller diz que, se antes os homens pré-históricos precisavam caçar animais para atrair parceiras, os homo sapiens de hoje necessitam buscar status, comprar carros, montar bandas de rock e compor poesias para seduzir incautas.
Tudo a ver, nada a ver. Renato Cavalcanti, criador do site Boa Bronha, está lançando o livro "A Arte de Desperdiçar Energia", em que relata a história de como uma página descompromissada tornou-se o site pornô mais visitado do Brasil em apenas três meses. No site do Boa Bronha, destaca-se um comentário de mestre Laerte Coutinho, que tem tudo a ver com a tese de Geoffrey Miller:
"A grande motivação quando comecei a passear na rede era encontrar gente pelada, gente fazendo sexo. Essa, na verdade, também foi minha motivação quando comecei a desenhar. Ou ler o Kama Sutra. A natureza abomina o vazio dos corpos cavernosos. O Boa Bronha era a minha parada favorita".
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Saddam Hussein pediu desculpas ao povo do Kuwait por ter invadido o país em 1990. Ok, qualquer ignaro sabe que esse ato foi motivado pela eminente guerra que Mr. Bush Júnior está louco para deflagrar, assim como pela pressão internacional que culminou na recente visita dos inspetores da ONU às instalações militares iraquianas. Mas é de se pensar: quando é que um governante da Gringoland pedirá desculpas aos povos de Granada, Líbia, Chile e Vietnã, dentre outros, pelas inúmeras intervenções bélicas, diplomáticas e políticas ao longo dos anos?
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Amostra do blog de Alexandre Soares Silva, nova leitura obrigatória acrescentada à lista de links deste site.
"Joguinhos para Casais I:
Ficam se olhando nos olhos. Perde o primeiro que disser 'Eu te amo'.
Joguinhos para Casais II:
Se separam. Perde quem tiver mais memória".
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Patrícia Silveira entrou, com méritos de sobra, no panteão de musas deste que vos escreve, ao estrelar um comercial da Antarctica em que borrifava cerveja em sua calcinha. Pois bem, qual não foi minha decepção ao saber que Patrícia (a propósito, sua foto publicada na Veja São Paulo desta semana é simplesmente sensacional) está envolvida com João Paulo Diniz, o mesmo playboyzinho que se envolveu no acidente de helicóptero que matou sua namorada na época, Fernanda Vogel? Ok, admito que sinto inveja desse cara, e sei que Patrícia Silveira é areia demais para o meu reles caminhãozinho. Mas não pude evitar que esse affair me recordasse alguns versos de "Uma Fatia de Bolo de Casamento", poema do inglês Robert Graves:
"Terá o estoque divino de maridos toleráveis caído, de fato, tão baixo?
Ou sou eu que sempre superestimei as mulheres
Às custas dos homens?
Será? Pode ser".
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Recomendação de leitura: "The Sims" e a hipersimulação do subúrbio, artigo de David Brooks, no New York Times, sobre o porquê do fascínio de tantas pessoas por The Sims, jogo cujo objetivo é definido como "a conquista suburbana em sua forma mais crua (...) e a necessidade de criar suas próprias raízes num mundo móvel e individualista".
Escrevi sobre leituras desatentas, mas o que dizer de audições desatentas? Atentem para os versos abaixo:
"Ela tem um sorriso que, me parece,
Me remete a memórias da infância
Quando tudo era tão puro como o brilhante céu azul
De vez em quando, ao ver o seu rosto
Ela me leva para aquele lugar especial
E se eu olhasse durante muito tempo
Eu provavelmente perderia o controle e choraria
Minha doce criança, minha doce amada"
É uma letra não-recomendável a diabéticos, tal é o grau de sua "doce" pieguice. E no entanto, roqueiros do mundo inteiro ouvem essa música, agitam suas cabeças como se estivessem tendo um ataque epilético e erguem suas mãos fazendo o sinal do capeta (lml). Pois os versos acima pertencem à canção "Sweet Child O' Mine", dos Guns N' Roses. Acho gozado, pois, quando headbangers criticam as músicas de Sandyjúnior ou KLB, tachando-as de bregas. O que diriam se ao menos se esforçassem para entender o que dizem as composições de seus ídolos?
Música e letra, de qualquer modo, não necessitam dançar no mesmo compasso. Vide o caso do primeiro grande sucesso de Beth Carvalho, "Vou Festejar". Outro dia assisti na TV a uma apresentação ao vivo de Jorge Aragão, um dos compositores dessa música junto com Dida e Neuci. O público todo se levantou das cadeiras para cantar e batucar ao som desse samba. Mas será que algum incauto repara no teor da sua letra?
"Chora
Não vou ligar
Chegou a Hora
Vais me pagar
Pode chorar, pode chorar
Ah, é o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter por quê
Eu vou festejar
O teu sofrer
O teu penar
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão"
Samba dos mais empolgantes, "Vou Festejar" guarda em si uma das letras mais ressentidas e vingativas de toda a MPB. Se o ritmo fosse obrigado a acompanhar os versos, provavelmente teria dado origem a um tango ou fado (mas perderia com isso a dicotomia e a ambigüidade que faz de "Vou Festejar" um dos melhores sambas que já ouvi). Essa composição me faz pensar: quem realmente presta atenção nas letras que seu ídolo canta? A julgar pelos hits radiofônicos que tocam hoje em dia, ninguém; vide a grande (sic) revelação da MPB nos últimos tempos, Jorge Vercilo. Só lendo para crer nas rimas cunhadas pela letra de "Que Nem Maré":
"Faz um tempão
Que eu não dou asas à minha emoção
Passear, distrair,
E me achar lá no fundo de ti"
A MPB, que já cunhou compositores do quilate de Orestes Barbosa, Aldir Blanc, Noel Rosa, Lupiscínio Rodrigues, Cazuza, Tom Jobim, Chico Buarque, Itamar Assumpção, Cartola e Vinícius de Moraes, não merecia ser melhor representada?
Escreve-se muito, lê-se pouco e mal na Terra Brasilis. Prova inconteste foi a divulgação, no final de 2001, de um teste internacional realizado com estudantes de 15 anos do mundo inteiro, a fim de aferir a capacidade da compreensão de textos dos alunos de cada país. Ficamos, entre 32 nações, na última colocação (atrás de Liechtenstein, Portugal e México). A conclusão: brasileiros, no geral, lêem, mas demonstram incapacidade para interpretar textos, articular parágrafos e compreender as idéias entrelinhadas no que está escrito. A despeito da difusão de weblogs, fanzines e outros meios de veiculação da palavra escrita, o fato é que estes são tempos em que leitores eletrônicos (ou não) dependem da muleta de emoticons, que assumem cada vez mais o papel de mastigar para eles as ironias, críticas e opiniões emitidas em um parágrafo. :(
Talvez a explicação para tamanha pobreza de leituras esteja na pressa com que vivemos o dia-a-dia. Vejam, por exemplo, a pressa injustificada com que pulamos de canal em canal no zapping do controle remoto. Mal conseguimos digerir todo o dilúvio de dados que nos é empurrado retinas abaixo. É tudo ao mesmo tempo agora: assistimos a mosaicos caóticos (vide o canal Bloomberg) que, de tantas informações que nos são exibidas ao mesmo tempo, acabam se transformando em quadros abstratos. São justaposições de letras e manchas coloridas passeando pela tela, qual uma pintura de Pollock ou Basquiat desprovida de todo e qualquer significado: lavagem cerebral.
Enxurrada de dados. Cada portal de Internet é um amontoado de manchetes justapostas. Em meio à superficialidade geral, tornamo-nos maniqueístas, como nos blockbusters hollywoodianos. O Taleban é mau porque é mau, e ponto: desconhecemos os precedentes históricos de cada evento. A História torna-se uma velha senhora desmemoriada, e cada fato é reescrito pelos sobreviventes. Ou apagado, feito as imagens de Trotsky ao lado de Lênin durante a Revolução Russa, removidas manualmente de cada foto a mando de Stálin.
Essa perda generalizada de sentido afeta a emitentes e receptores de comunicação. E é fator fundamental na compreensão do porquê da pobreza da arte contemporânea (explicitada pela estéril grandiloqüência das instalações "multimídia" de Bienais), reflexo fiel de uma era de descontextualizações históricas e empobrecimento das utopias. Uma arte voltada para si mesma, desconectada do mundo lá fora: cínica, cética, descrente em movimentos sociais e fechada em tergiversações metalingüísticas. Reconhecidamente incapaz de mudar o mundo, a produção artística assume, mesmo que envergonhada, a condição de mero produto cultural (e a cobra come o próprio rabo). Os leitores são dispersivos porque a arte perdeu a sua aura? Ou a produção artística acatou a diluição de sua mensagem pelo establishment devido à pasteurização de seu público?
Quando eu era criança, assistia aos desenhos do Ligeirinho e me encantava ao ver aqueles feijões mexicanos que pulavam sozinhos. Uma das maiores frustrações de minha infância foi essa: nunca comi feijões que pulam.
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Quando eu era criança, me apaixonei irremediavelmente pela Daphne da Turma do Scubidu. Talvez seja essa a razão da minha atração por ruivas, sejam elas pintadas ou não.
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Quando eu era criança, meu pai dizia que eu devia cuspir longe as sementes de melancia, porque se engolisse uma delas por acidente nasceriam outras melancias dentro do meu estômago. Pensava comigo mesmo: "ué, será que é assim que as mães ficam grávidas?".
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Quando eu era criança, mantinha sempre os meus olhos atentos ao chão, porque acreditava piamente que um dia encontraria uma lâmpada mágica como a do Aladim. O único problema é que o gênio provavelmente só saberia falar árabe, e eu ficava angustiado pensando em como conseguiria me fazer entender. Aliás, eu tinha na ponta da língua o primeiro pedido que faria ao gênio: "quero que o senhor me conceda mais cinqüenta desejos!".
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Quando eu era criança, assisti a uma reportagem sobre um tal "morto que riu". A matéria relatava que durante um velório um dos presentes resolveu tirar uma foto do morto dentro do caixão. No entanto quando ele foi revelar os negativos levou o maior dos sustos, porque o morto aparecera sorrindo na fotografia. Até hoje sinto calafrios toda vez que lembro da cara do finado (sim, o Fantástico exibiu o retrato do mesmo no final da matéria).
A propósito, eu também tinha medo de qualquer reportagem apresentada pelo Hélio Costa.
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Quando eu era criança, acreditava que sempre chovia nos dias de Finados. E que essa chuva era na verdade as lágrimas derramadas pelos mortos que ficavam emocionados ao ver suas famílias visitando (ou não) seus túmulos.
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Quando eu era criança, não conseguia entender como funciona o tal do Amor (aliás, o adulto aqui continua sem entender patavina nenhuma). Ficava imaginando: "pôxa, mas e se minha alma gêmea morar na Finlândia ou na Nova Zelândia? Como a gente vai fazer pra se encontrar?"
2.12.02 Dia 2 de dezembro é o Dia Nacional do Samba. Fuçando pela Internet, encontrei um texto de Paulo Eduardo Neves, criador da preciosa Agenda do Samba & Choro, explicando o porquê dessa data. Não, não é o dia do nascimento de Noel Rosa, Cartola ou Nélson Cavaquinho, tampouco o dia do lançamento de "Pelo Telefone", considerado o primeiro samba gravado na história, ou da criação de escolas como a Mangueira ou a Portela. Paulo Eduardo explica que a efeméride surgiu pela iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso, o compositor de "Aquarela do Brasil" e "Na Baixa do Sapateiro", que havia visitado Salvador pela primeira vez em 2 de dezembro.
A data não é tão celebrada como se deveria. Afinal de contas, samba é o gênero musical que identifica, imediatamente, nossa Terra Brasilis em qualquer canto deste planeta? Mas enfim, este blog gostaria de marcar a data transcrevendo uma letra (porque, oras, blog que se preza publica uma letra de música pelo menos uma vez na vida) composta por um dos maiores representantes do gênero em todos os tempos: mestre Paulinho da Viola. Registrada no álbum "Eu Canto Samba", de 1989, "Quando Bate uma Saudade" é uma pequena obra-prima que retrata o momento da criação do artista.
Quando Bate uma Saudade (Paulinho da Viola)
Vem, quando bate uma saudade
Triste, carregado de emoção
Ou aflito quando um beijo já não arde
No reverso inevitável da paixão
Quase sempre um coração amargurado
Pelo desprezo de alguém
É tocado pelas cordas de uma viola
É assim que um samba vem
Quando um poeta se encontra
Sozinho num canto qualquer do seu mundo
Vibram acordes, surgem imagens
Soam palavras, formam-se frases
Mágoas, tudo passa com o tempo
Lágrimas são as pedras preciosas da ilusão
Quando surge a luz da criação no pensamento
Ele trata com ternura o sofrimento
E afasta a solidão (Mas vem...)
Minha caixa postal constantemente recebe piadas velhas, anúncios bizarros versando sobre itens como produtos contra calvície, rações para gado ou cursos de conserto de celulares, cartas "dramáticas" oriundas de diplomatas nigerianos ou professores cubanos, attachments de Power Point com mensagens "edificantes" ou aqueles malfadados kits sobre como se tornar milionário sem sair da minha casa. Diante desse cenário desgracento, não é de se admirar uma notícia dessas: spam pode consumir até 35% da banda de internet do Brasil em 2003. Ah crianças, quando é que vocês vão aprender que o único spam do bem é o Spam Zine? =^) A todos que compartilham da minha indignação, recomendo fortemente uma visita ao Museu do Spam, criado com o intuito de descobrir as razões do excêntrico comportamento que faz dos spammers seres tão esclarecidos quanto asnos, mulas, pedras e dançarinas de grupos de pagode.
Contudo, faço uma ressalva àqueles que costumam repassar e-mails com fotos de crianças que desapareceram. Da próxima vez que você receber uma mensagem do tipo, dê um toque ao remetente: o Ministério da Justiça criou o site da Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Muito mais eficiente do que enviar a mesma mensagem para seu grupo de contatos será o cadastro de cada vítima nesta página. De quebra, você estará ajudando a poupar a paciência e a conexão à Internet de seus amigos e conhecidos. ;^)
A ilustração ao lado, encontrada em um saquinho de padaria, foi trazida para a Internet por João Antônio Bührer, responsável por um dos mais preciosos blogs da paróquia: o Grafolalia. Se você ainda não o visitou, se oriente, mon ami: clique aqui e se deleite com a vasta coleção de livros, ilustrações, cards, recortes e revistas do meu conterrâneo João.
Em tempo: Pensar Enlouquece está entre os cinco mais votados do Prêmio iBest Blog (a votação vai até dia 26 de fevereiro), e eu preciso do seu voto para ganhar uma graninha honesta e fazer com que minha conta bancária, que anda sempre "naqueles dias" (só no vermelho), saia do negativo finalmente. Clique aqui para dar aquela forcinha amiga. :) De quebra, todos os participantes da votação concorrerão ao sorteio de um Citroen Xsara Picasso. Na pior das hipóteses, se o meu blog não faturar esse prêmio, ao menos você daria uma carona para mim depois? =)
Já se tornou chavão, no universo da bloglândia tupiniquim, escrever posts com palavras chamativas a fim de aumentar o número de acessos e tapear os punheteiros de plantão. Basta publicar uma frase do tipo "Syang nua, pelada, desnuda e sem roupa na Playboy, Sexy e Vip junto com Kelly Key, Sandy, Daniela Cicarelli e Suzane von Richthofen praticando barebacking na festa da FGV ouvindo mp3 com mensagens subliminares do Ragatanga satânico do Rouge no cafofo do Big Brother", e pronto: o número de visitantes do seu blog aumentará mais que os índices da inflação.
Parece piada, mas não é. Outro dia entraram neste blog com a seguinte pesquisa no Google: "quero a playboy da lidia brondi e também a da luciana vendramini". Não duvido que haja internautas que façam pesquisas com termos como "caro Google será que você poderia me informar onde eu acho fotos da Scheila Carvalho de calcinha", e outras bizarrices do tipo. Sábias foram as palavras de Albert Einstein: "apenas duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, e eu não estou seguro quanto à primeira".
É pra rir ou pra chorar? Um artigo de Marinilda Carvalho, publicado no Observatório da Imprensa, prova que talvez seja necessária a implantação de um novo curso nas faculdades de Comunicação: Pesquisas Avançadas na Internet. O texto transcreve alguns dos pedidos mais esdrúxulos que a redação do Observatório recebeu nos seis anos de existência do site. É uma verdadeira mostra da cara-de-pau e da indulgência de alguns estudantes que, em vez de fazerem pesquisas de verdade, têm a desfaçatez de pedir para que mandem tudo mastigado no conforto de seus lares. O que dizer, por exemplo, de um internauta que manda um e-mail com esse pedido:
"Estou fazendo um ensaio sobre a influência das variações na economia sobre o acesso público à informação, e como isso é utilizado para se restringir decisões políticas a ambientes restritos. Um golpe na democracia, para ser mais breve. Gostaria que me indicassem sites, articulistas, textos, e, se fosse possível, artigos do próprio Observatório, que poderiam ser enviados por e-mail. Tudo que for relacionado, até charges e músicas, será de grande valia. Agradeço antecipadamente."
Mas há mais aberrações:
"Boa tarde. Gostaria de saber algumas coisas sobre a Semana de Arte Moderna de 1922. 1) Por que surgiu o movimento. 2) Quem participou. 3) O que o movimento trouxe para os nossos dias. Gostaria muito da ajuda de vocês, pois este é um ensaio para a faculdade e preciso entregar até sexta-feira. Fico muito agradecido. Aguardo respostas. Um grande abraço."
Não cheguei a tal ponto, mas já recebi e-mails com pedidos esdrúxulos. Quando "Pensar Enlouquece" foi citado no Blogs of Note, mandaram-me mensagens solicitando que eu elaborasse templates, isso para não falar na famosa "troca de links para mútua divulgação", e até mesmo a redação de posts que chamassem a atenção do tal "Blogger Man". Como diria o Bussunda, "fala sério!!!".
Nasci em Campinas, em 27 de julho de 1973. Mas me mudei cedo de lá, com poucos meses de idade. Da cidade, guardei apenas um vínculo: minha torcida pelo Guarani. Que nasceu quando, em 1978, vi na televisão um time do interior surrar todas as equipes consideradas "grandes" com um futebol alegre e ofensivo. Por uma feliz coincidência, esse time era da minha cidade natal. Batata: foi amor à primeira vista.
Como vocês sabem, amor não se escolhe; simplesmente acontece. Aconteça o que acontecer, serei Bugrão até a morte. Eu sei que meu time de coração não tem a mesma estrutura, tampouco o mesmo orçamento das "grandes" agremiações do futebol canarinho. No entanto, mesmo com as limitações, insiste em incomodar a "elite" formando equipes vencedoras, e revelando inúmeros talentos para a Seleção Brasileira, como Careca, Amoroso, Evair, Amaral, Luisão, Júlio César, João Paulo, Mauro Silva, Flamarion e Neto. Meu Bugrão permanece sendo o único clube do interior que foi campeão brasileiro (1978), além de ter conquistado a Taça de Prata (1981), a Taça dos Invictos (1970), a Taça São Paulo de Júniores (1994) e o bicampeonato da Copa Toyota de Futebol Juvenil no Japão (2001/2002). Também bateu recordes que perduram até hoje, como a de melhor ataque em campeonatos brasileiros (em 1982 o ataque formado por Lúcio, Jorge Mendonça, Ernani Banana e Careca fez 63 gols em 20 jogos - média de 3,15 gols por partida) e vitórias consecutivas (doze, em 1978).
Ok, nem de longe dá para comparar as conquistas do Guarani com as de outras equipes como Flamengo, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio. Mas é como eu disse: amor não se escolhe, tampouco se explica. Não me venham com argumentações a respeito de títulos, plantel, patrocínios, tamanho da torcida ou infra-estrutura. O meu time é o melhor de todos, e pronto. Será o único representante alviverde do futebol paulista na 1a. divisão em 2003. Ah, e está disputando as finais dos campeonatos paulistas de juvenis e júniores, revelando, como sempre, novos talentos.
Eu sofro, mas sou feliz. Sim: sou BUGRÃO, com todo orgulho e amor.